GUATAMBU 2

Birigui abre audiência de megacaso sobre tráfico e lavagem

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Denúncia do MP aponta esquema interestadual, lavagem de dinheiro e ligação com facção criminosa; audiências começam nesta terça
Denúncia do MP aponta esquema interestadual, lavagem de dinheiro e ligação com facção criminosa; audiências começam nesta terça

A Justiça dá início, nesta terça-feira (24) e quarta-feira (25), a uma das audiências mais aguardadas da área criminal em Birigui. O caso, que ficou conhecido como Operação Guatambu II, envolve uma complexa investigação sobre tráfico interestadual de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As audiências de instrução e julgamento começam às 9h, no fórum da cidade, e serão realizadas em formato híbrido. Réus presos participarão por videoconferência, assim como advogados, enquanto testemunhas e acusados em liberdade deverão comparecer presencialmente às dependências do fórum de Birigui.

A denúncia oferecida pelo Ministério Público aponta a existência de uma associação criminosa estruturada e com divisão de tarefas bem definida. O núcleo inicial seria formado por F.A.S.G., W.H.M. e L.A.R., que, segundo a investigação, atuavam de forma estável no tráfico entre estados.

De acordo com o MP, cada integrante exercia uma função específica dentro do esquema. F.A.S.G. atuava como motorista e “laranja”, responsável pelo transporte da droga e pelo registro de bens em seu nome. W.H.M. seria o financiador da operação, custeando caminhões, manutenção e estrutura logística. L.A.R., apontado como líder, coordenava negociações, organizava o transporte e distribuía os lucros do grupo.

A investigação teve origem na apreensão de 285 quilos de cocaína, em outubro de 2022, na rodovia Marechal Rondon, em Araçatuba, quando F.A.S.G. foi preso em flagrante transportando a droga em um caminhão. Ele receberia R$ 3 mil pelo serviço.

As apurações avançaram a partir da análise do celular do motorista e revelaram uma rede mais ampla, incluindo movimentações financeiras suspeitas, uso de empresas para ocultação de valores e aquisição de veículos para o transporte de entorpecentes.

O Ministério Público também descreve a atuação de um segundo núcleo da organização, formado por M.D.A., M.C.S., C.C.A. e A.J.L.P., que teria dado continuidade ao esquema após a primeira prisão. Nesse grupo, os investigados também exerciam funções como transporte e recrutamento.

Um dos episódios citados ocorreu em agosto de 2023, quando M.D.A. foi preso em Itu (SP) transportando 456 quilos de cocaína. Dias depois, C.C.A. e A.J.L.P. foram flagrados com cerca de 240 quilos da droga na zona rural de Bento de Abreu.

Ainda segundo a denúncia, a investigada M.C.S. teria papel ativo no recrutamento de integrantes e também ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), atuando na transmissão de informações entre membros do grupo.

Além do tráfico, parte dos acusados também responde por lavagem de dinheiro, com uso de empresas e transações financeiras para ocultar a origem ilícita dos recursos. Há registros de transferências que ultrapassam R$ 90 mil identificadas durante a investigação.

O inquérito policial foi conduzido pelo delegado da DISE de Araçatuba, Juliano Albuquerque Goes, que aparece como uma das testemunhas arroladas no processo.

Ao todo, o caso reúne diversos réus. Parte deles segue presa preventivamente, enquanto outros respondem em liberdade.

A defesa de W.H.M., conhecido como “Ne”, é feita pelo advogado Jeronimo Junior, que afirmou que o momento exige cautela na análise das provas.

“Trata-se de um processo complexo, com múltiplas interpretações possíveis sobre os elementos apresentados. A defesa entende que não se pode presumir responsabilidade com base apenas em vínculos indiretos ou movimentações financeiras. Durante a instrução, será possível esclarecer os fatos e demonstrar que não há comprovação segura de participação do nosso cliente nas condutas imputadas.”

A fase de instrução é considerada crucial, pois reúne depoimentos de testemunhas, policiais e dos próprios réus. Ao final, o juiz deverá avaliar as provas antes de proferir a sentença.

A expectativa é de que os dois dias de audiência avancem sobre pontos-chave da investigação, podendo definir os rumos de um dos processos mais complexos já registrados na região.

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