A Universidade de São Paulo (USP) reúne 284 pesquisadores na edição mais recente de um levantamento internacional que identifica cientistas com destaque em citações científicas. Elaborado pelo pesquisador John P. A. Ioannidis, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, o estudo considera as citações recebidas ao longo de 2025 e utiliza indicadores relacionados à autoria dos trabalhos. Os dados foram divulgados pelo Jornal da USP em outubro de 2026.
Entre os nomes presentes na lista, 19 estão ligados à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) ou ao Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), duas unidades da USP instaladas em Piracicaba. As áreas de atuação abrangem temas como conservação do solo, mudanças climáticas, restauração florestal, controle biológico de pragas e microbiologia. A seleção permite conhecer um pouco da diversidade científica presente no município.
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Entre os pesquisadores ligados a estudos sobre solo e sustentabilidade agrícola está Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, professor do Departamento de Ciência do Solo da Esalq e diretor do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON/USP). Sua atuação inclui pesquisas sobre matéria orgânica do solo, sequestro de carbono e emissões de gases de efeito estufa. Maurício Roberto Cherubin, por sua vez, está associado a estudos sobre saúde e manejo do solo, enquanto Paulo Sergio Pavinato trabalha com a dinâmica e o manejo do fósforo em solos tropicais, tema relacionado à fertilidade e à nutrição das plantas.
Outros pesquisadores da Esalq também desenvolvem trabalhos relacionados às características dos solos e ao planejamento do uso da terra. José Alexandre Melo Demattê está ligado a pesquisas com sensoriamento remoto e geotecnologias aplicadas ao mapeamento e à análise dos solos. Já Tiago Osório Ferreira atua na área de geoquímica dos solos, com estudos relacionados à formação desses ambientes e a questões agroambientais.
No CENA, Quirijn de Jong van Lier desenvolve pesquisas em física do solo, com trabalhos voltados à disponibilidade de água para as plantas, à extração de água pelas raízes e às propriedades hidráulicas do solo. Na área de agrometeorologia, a lista também inclui Paulo Cesar Sentelhas, professor da Esalq falecido em setembro de 2021. Ao longo da carreira, ele se dedicou ao estudo das relações entre as condições meteorológicas e a agricultura, contribuindo para o conhecimento sobre os efeitos do clima na produção agrícola.
Também ligado ao CENA, Ernani Pinto Junior atua em toxicologia ambiental e pesquisas relacionadas à qualidade da água. Seus estudos envolvem análises de microrganismos, cianotoxinas, substâncias produzidas por determinadas cianobactérias, e produtos naturais de microalgas. A área também abrange investigações sobre contaminantes e seus possíveis efeitos ambientais, ampliando o conhecimento sobre questões relacionadas à água e à exposição a substâncias tóxicas.
Na área florestal, Pedro Henrique Santin Brancalion está ligado a pesquisas sobre restauração de florestas, silvicultura de espécies nativas e produção de sementes e mudas. José Leonardo de Moraes Gonçalves desenvolve estudos relacionados a solos e nutrição florestal. Já Gerd Sparovek, professor titular aposentado da Esalq que mantém vínculo ativo com projetos de pesquisa, atua em temas como planejamento do uso da terra, modelagem espacial, conservação do solo e da água e relação entre produção agropecuária e preservação ambiental.
A genética e a microbiologia também estão representadas na seleção. Ricardo Antunes de Azevedo desenvolve pesquisas em genética bioquímica de plantas, enquanto Elke Jurandy Bran Nogueira Cardoso tem trajetória ligada à microbiologia do solo, incluindo estudos sobre fungos micorrízicos, indicadores de qualidade do solo e microrganismos associados ao crescimento das plantas. No CENA, Lucas William Mendes atua em ecogenômica, ecologia microbiana e sustentabilidade ambiental, com pesquisas voltadas às comunidades de microrganismos e às relações que estabelecem com os ambientes em que vivem.
Outro grupo reúne pesquisadores ligados ao estudo de pragas agrícolas e às estratégias utilizadas para controlá-las. José Roberto Postali Parra, professor sênior da Esalq, tem trajetória científica associada ao controle biológico de insetos-praga e ao manejo integrado de pragas. Lessando Moreira Gontijo também está ligado a estudos sobre controle biológico e manejo de pragas, enquanto Celso Omoto pesquisa a resistência de artrópodes às estratégias de controle, tema importante para compreender como determinadas pragas respondem aos métodos utilizados nas lavouras.
A acarologia, área dedicada ao estudo dos ácaros, é outra frente de pesquisa presente na Esalq. Gilberto José de Moraes, professor aposentado da instituição, tem contribuições científicas relacionadas à biodiversidade, à taxonomia e ao controle biológico desses organismos. Parte de sua trajetória envolve estudos sobre ácaros predadores que podem ser utilizados no controle de espécies que prejudicam culturas agrícolas, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias de manejo de pragas.
Na produção animal, Roberto Sartori Filho, do Departamento de Zootecnia da Esalq, está ligado a estudos sobre fisiologia e biotecnologia da reprodução de ruminantes. Essa área investiga os processos reprodutivos de animais como bovinos e busca ampliar o conhecimento científico que pode contribuir para o aprimoramento das técnicas de reprodução e dos sistemas de produção pecuária.
O levantamento de Stanford utiliza o indicador composto chamado c-score, que considera citações científicas e aspectos da autoria, como a posição do pesquisador nos trabalhos e os padrões de coautoria. A edição anual consultou perfis da plataforma Scopus registrados em agosto de 2026 e considera as citações recebidas em 2025. A presença dos 19 nomes ligados à Esalq e ao CENA evidencia a variedade de temas estudados no campus da USP em Piracicaba, que reúne pesquisas voltadas tanto à produção agropecuária quanto à conservação ambiental e à compreensão dos processos biológicos.