A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais provocou uma forte reação nos mercados brasileiros nesta segunda-feira (5). O Ibovespa, principal índice da B3, avançou 7,70% e terminou o pregão aos 206.911,89 pontos, estabelecendo um novo recorde de fechamento e superando pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. A máxima do dia chegou a 209.605,70 pontos, com valorização de 9,10%.
O movimento ocorreu após Flávio encerrar a primeira etapa da disputa presidencial na frente, com 47,03% dos votos válidos, ou 56.104.503 votos. Lula ficou em segundo, com 45,16%, equivalente a 53.879.538 votos. Os dois candidatos avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Além das ações, o câmbio também registrou uma movimentação expressiva. O dólar comercial terminou o dia cotado a R$ 5,001, depois de chegar a R$ 4,952 durante o pregão. A queda de aproximadamente 4,12% representou uma das maiores retrações da moeda americana em uma única sessão nos últimos anos. A combinação entre alta das ações, valorização do real e queda dos juros futuros indicou uma redução da percepção de risco entre investidores diante do resultado eleitoral.
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A resposta positiva da Bolsa foi associada principalmente à expectativa de uma possível mudança na condução da política econômica a partir de 2027. Parte dos investidores avalia que uma eventual administração de Flávio poderia adotar uma postura mais favorável ao controle das contas públicas, o que diminuiria a percepção de risco relacionada à trajetória da dívida brasileira. Essa avaliação, porém, representa uma expectativa do mercado e não uma garantia sobre o comportamento futuro da economia.
Os juros futuros também recuaram de forma significativa após o resultado das urnas. Esses contratos são usados pelos investidores para projetar o comportamento das taxas de juros nos próximos anos. Quando as taxas negociadas caem, aumenta a expectativa de um ambiente de menor risco e de eventual redução do custo do dinheiro no futuro. No pregão, a queda desses contratos acompanhou a valorização das ações e do real.
O cenário ainda está longe de definido, já que a eleição terá uma nova etapa e os candidatos precisarão disputar novamente os votos dos eleitores. Para os mercados, os próximos movimentos dependerão da evolução da campanha, das alianças e das propostas econômicas apresentadas até o segundo turno. A reação desta segunda-feira mostra, portanto, como o resultado das urnas pode alterar rapidamente as expectativas de investidores, mas não representa uma confirmação de como Bolsa, dólar ou juros irão se comportar daqui para frente.