A tradicional “Pamonha de Piracicaba” pode ganhar um novo reconhecimento oficial. O Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba) aprovou, por unanimidade, a abertura do processo para registrar o “Modo de Preparo da Pamonha de Piracicaba” como patrimônio cultural do município. A decisão foi publicada no Diário Oficial na quinta-feira (24).
A aprovação ocorreu durante uma reunião ordinária do conselho realizada em 12 de junho de 2026. O pedido considera os conhecimentos, técnicas e práticas relacionados à produção da pamonha, e não um bem material. Por esse motivo, o eventual reconhecimento será enquadrado na categoria de patrimônio cultural imaterial.
A abertura do processo, porém, não significa que o registro já foi concedido. O procedimento ainda precisa seguir as etapas previstas para que o reconhecimento seja efetivado.
Saiba mais:
A história da pamonha produzida em Piracicaba remonta à década de 1950. Na época, Dona Wasthy e familiares passaram a preparar uma versão da receita utilizando o creme de milho verde fresco como base.
Uma das características que ajudaram a diferenciar a produção local foi a forma de fechamento da pamonha. A palha do milho passou a ser costurada ou amarrada manualmente, formando a embalagem utilizada para envolver o alimento.
A receita tradicional é preparada com o creme do milho verde ralado e açúcar cristal. O modo artesanal de produção e a utilização da própria palha do milho para o fechamento se tornaram elementos associados à tradição piracicabana.
Para quem quiser experimentar a tradicional pamonha em Piracicaba, um dos locais onde o produto pode ser encontrado é o Mercado Municipal. A “Fábrica di Pamonha”, localizada no box 123 do Mercadão Municipal, comercializa o quitute.
O local é uma das opções para quem deseja conhecer ou consumir a pamonha que faz parte da tradição gastronômica da cidade.
A procura pelo produto aumentou ao longo dos anos. Na década de 1960, a produção teria ultrapassado a marca de 5 mil pamonhas por dia, com distribuição para diferentes cidades do estado de São Paulo.
A expansão também contou com vendedores que ajudaram a levar o nome da pamonha de Piracicaba para outras regiões.
Entre eles estava Dirceu Bigeli, que trabalhou como vendedor de pamonhas produzidas por Dona Wasthy. Ele chegou a adquirir um carro e instalou no veículo um gravador e um alto-falante, utilizados para divulgar o produto durante as vendas.
A tradição também ganhou novos empreendedores ao longo das décadas. Nos anos 1990, Ademir Assarisse e Wanda Assarisse abriram uma empresa voltada à produção de pamonhas, dando continuidade à atividade que já fazia parte da história gastronômica de Piracicaba.
O processo aberto pelo Codepac busca reconhecer justamente esse conjunto de conhecimentos e práticas que envolve a produção da pamonha, considerando a importância da técnica artesanal e da tradição transmitida ao longo das gerações.
Caso o processo seja concluído favoravelmente, o modo de preparo poderá ser oficialmente reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Piracicaba.
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