Pesquisadores que investigam a Formação Durupinar, na Turquia, coletaram novos fragmentos de cerâmica e cerca de 1.000 amostras de solo durante a mais recente etapa do projeto que busca esclarecer a origem de uma estrutura localizada próxima ao Monte Ararat. O local é apontado por parte dos pesquisadores como uma possível área onde estaria enterrada a Arca de Noé.
As amostras de solo foram retiradas de aproximadamente 150 pontos da formação e encaminhadas para Ancara, onde passarão por análises laboratoriais. A expectativa é identificar a presença de material orgânico e possíveis vestígios de madeira.
A equipe responsável pela pesquisa prevê apresentar as primeiras conclusões científicas do projeto em 2027. As informações foram divulgadas pelo site especializado Arkeonews.
Saiba mais:
Durante os trabalhos de campo, arqueólogos encontraram fragmentos de cerâmica que, segundo os pesquisadores, podem estar relacionados a períodos anteriores ao dilúvio descrito na Bíblia.
A idade dos materiais ainda não foi estabelecida. Para determinar quando as peças foram produzidas, os fragmentos precisarão passar por análises laboratoriais.
Além da coleta de solo, os pesquisadores utilizaram radar de penetração no solo para identificar áreas de interesse. Equipamentos de GPS também foram empregados para registrar os pontos analisados, enquanto mapas em duas e três dimensões foram produzidos para documentar a formação.
Em agosto, levantamentos realizados com equipamentos de imagem subterrânea identificaram características incomuns abaixo da Formação Durupinar. Entre os registros estão possíveis cavidades e áreas com limites considerados regulares.
Algumas das anomalias aparecem em ângulos que se aproximam de 90 graus. Para a equipe, os padrões podem estar relacionados a compartimentos ou estruturas, mas ainda não há confirmação sobre a origem dessas formações.
Os pesquisadores afirmam que os dados obtidos pelo radar precisam ser comparados com os resultados das análises das amostras coletadas no local.
Outra informação que será investigada está relacionada à composição do solo. Segundo dados apresentados pela equipe, amostras retiradas da parte interna da formação registraram níveis de carbono cerca de 40% superiores aos encontrados em áreas externas.
Cenker Atila, da Universidade Sivas Cumhuriyet e responsável pela missão científica, afirmou que a diferença pode estar relacionada à presença de matéria orgânica. Entre as possibilidades levantadas está a existência de madeira, hipótese que ainda depende de confirmação laboratorial.
Com as novas análises, os pesquisadores pretendem verificar se os dados obtidos por radar e as características químicas do solo possuem alguma relação com materiais encontrados abaixo da superfície.
O trabalho realizado na região passou do mapeamento da estrutura visível na superfície para a análise do material localizado em seu interior.
O projeto "Noah's Ark Scans" informou que seu parceiro na Turquia recebeu autorizações do governo para ampliar os estudos na Formação Durupinar. A proposta inclui perfurações de sondagem não destrutivas, equipamentos de sensoriamento remoto e sistemas de imagem subterrânea.
Também está prevista a utilização de um drone subterrâneo chamado "Gopher", desenvolvido para auxiliar no mapeamento das áreas abaixo da superfície.
A Formação Durupinar não é a única característica da região associada à história da Arca de Noé.
Nas proximidades da vila de Kazan, anteriormente chamada Arzap, existem grandes pedras com orifícios próximos às extremidades. Elas são conhecidas como "pedras de âncora" e, ao longo dos anos, foram relacionadas à hipótese de que poderiam ter sido utilizadas em uma antiga embarcação.
Os pesquisadores Ron Wyatt e David Fasold defenderam a possibilidade de que essas pedras funcionassem como âncoras, presas por cordas para auxiliar na estabilização de uma embarcação.
Algumas das peças também possuem cruzes e outras marcações atribuídas a períodos posteriores. A função original das pedras, porém, não foi determinada.
A Formação Durupinar está localizada a cerca de 29 quilômetros ao sul do Monte Ararat, considerado o ponto mais alto da Turquia.
A estrutura passou a ser conhecida no mundo moderno no século 20. Relatos apontam que fortes chuvas e terremotos registrados em maio de 1948 removeram parte da lama que cobria a região, deixando a formação visível. A descoberta teria sido feita posteriormente por um pastor curdo.
A relação entre o local e a Arca de Noé está ligada ao relato bíblico segundo o qual a embarcação teria repousado sobre os "montes de Ararat" após um dilúvio que teria durado 150 dias.
Até o momento, as pesquisas realizadas na Formação Durupinar não comprovaram que a estrutura seja a Arca de Noé. Os pesquisadores aguardam os resultados das análises laboratoriais para determinar a origem e a composição dos materiais encontrados no local.