O tratamento da insônia ganhará uma nova alternativa no Brasil. O Dayvigo, nome comercial do lemborexante, já recebeu registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e será comercializado pela Eurofarma em parceria com a farmacêutica japonesa Eisai. A previsão mais recente divulgada pela Eurofarma aponta chegada ao mercado brasileiro até o início de 2027.
O medicamento pertence à classe dos antagonistas duplos dos receptores de orexina, conhecida pela sigla DORA. Seu mecanismo é diferente do utilizado por medicamentos tradicionais para insônia, como o zolpidem: em vez de atuar diretamente aumentando a atividade de sistemas que reduzem a atividade cerebral, o lemborexante interfere na sinalização relacionada à manutenção da vigília.
A proposta é reduzir o estímulo que ajuda a manter o cérebro em estado de alerta e, com isso, facilitar tanto o início quanto a manutenção do sono. O produto é indicado pela Anvisa para adultos com insônia caracterizada por dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo. A agência recomenda que o tratamento seja feito na menor dose e pelo menor período clinicamente indicado.
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A orexina é uma substância envolvida na regulação do ciclo entre sono e vigília. O lemborexante atua sobre os dois tipos de receptores desse sistema, reduzindo a transmissão do sinal associado à permanência em estado de alerta. Esse mecanismo faz com que o medicamento seja diferente dos chamados medicamentos Z, grupo que inclui o zolpidem.
A questão da dependência também exige uma explicação cuidadosa. A empresa responsável pelo produto cita evidências de ausência de risco de dependência, enquanto avaliações regulatórias internacionais encontraram ausência de sinais de dependência física, mas também identificaram potencial de abuso. Nos Estados Unidos, o lemborexante é classificado como substância controlada de Schedule IV.
No Brasil, o Dayvigo já está registrado pela Anvisa, mas isso não significa que o produto esteja automaticamente disponível nas farmácias. Segundo a agência, ainda é necessária a aprovação do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), etapa que antecede a comercialização. A estimativa divulgada para o preço médio é de cerca de R$ 200.