O que parecia ser a chance de ganhar um carro ou uma bolada em dinheiro pode ter escondido um esquema milionário. A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (4) a Operação “Rifa dos Sonhos”, contra um grupo suspeito de promover sorteios e rifas ilegais de veículos e dinheiro na região de Piracicaba.
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Ao todo, 12 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Piracicaba, Santa Bárbara d’Oeste, Americana e Limeira.
Segundo a investigação, os suspeitos utilizavam redes sociais e sites próprios para divulgar os sorteios, mas não tinham autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Carros, dinheiros e cheques
De acordo com a Polícia Civil, o grupo teria criado uma verdadeira estrutura para passar aos participantes uma aparência de legalidade.
Os resultados dos sorteios seriam apresentados como se estivessem vinculados às extrações oficiais da Loteria Federal, embora, segundo a investigação, não houvesse autorização para a realização das rifas.
Nas divulgações, os investigados também utilizavam dinheiro em espécie e grandes “cheques” figurativos, numa estratégia para demonstrar que os prêmios realmente existiam e atrair novos participantes.
A investigação, porém, começou a apontar para algo ainda mais grave.
Os policiais encontraram indícios de que empresas teriam sido constituídas com atividades registradas diferentes daquilo que realmente era praticado.
Também foram identificados domínios de internet registrados no exterior em nome de terceiros e patrimônio que, segundo a investigação, seria incompatível com a renda declarada pelos envolvidos.
Esses elementos passaram a sustentar uma segunda linha de investigação: a possível lavagem do dinheiro obtido com o esquema.
Para cumprir as ordens judiciais, 18 policiais civis foram mobilizados e divididos em seis equipes.
As equipes atuaram simultaneamente em imóveis residenciais e, posteriormente, em endereços comerciais ligados aos investigados. Durante as buscas, foram apreendidos veículos, celulares e equipamentos de informática.
Todo o material será analisado pela perícia, principalmente os aparelhos eletrônicos, que podem revelar conversas, movimentações financeiras, contatos e a estrutura utilizada para a divulgação dos sorteios.
Investigação vai atrás do dinheiro
A operação não encerra o caso.
Os veículos serão submetidos à avaliação técnica e os dispositivos eletrônicos passarão por extração e análise forense, respeitando a cadeia de custódia.
A Polícia Civil também deverá ouvir investigados e testemunhas para tentar descobrir como funcionava a estrutura, quanto dinheiro teria movimentado e quem mais poderia estar envolvido.
Por enquanto, os investigados são alvos da apuração e não há condenação. A investigação segue para esclarecer toda a extensão do suposto esquema.