Daniel Vorcaro acusou a cúpula da Polícia Federal de tentar impedir o avanço de uma possível delação premiada. O ex-dono do Banco Master apresentou o relato ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que pretendia fornecer informações envolvendo pessoas ligadas ao núcleo político do atual governo. As acusações, porém, não foram acompanhadas de provas apresentadas por Vorcaro.
A transcrição do depoimento, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Itatiaia, mostra que Vorcaro atribuiu o fracasso das negociações a uma pressão que, na avaliação dele, teria partido de níveis superiores. Entre os nomes que poderiam ser mencionados em uma eventual colaboração, ele incluiu o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, além de outras pessoas relacionadas ao ambiente político que teria conhecido durante sua trajetória empresarial.
O ex-banqueiro também relatou ter sofrido ameaças, intimidações e maus-tratos durante o período em que esteve preso. De acordo com sua versão, os episódios teriam ocorrido de forma frequente enquanto mantinha contatos com integrantes da Polícia Federal e diminuído depois que a possibilidade de colaboração deixou de avançar. Vorcaro ainda interpretou a própria prisão como uma tentativa de pressioná-lo a não revelar informações às autoridades.
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As declarações chegaram ao STF durante as negociações para uma colaboração premiada. Na quarta-feira (2), a Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento das acusações relacionadas a ameaças e intimidações. O procurador-geral Paulo Gonet considerou que Vorcaro não apresentou elementos concretos ou informações mínimas capazes de sustentar as denúncias feitas no depoimento.
As tentativas de delação também não avançaram. A Polícia Federal rejeitou em junho uma segunda proposta apresentada pelo ex-banqueiro, depois de uma primeira negativa em maio. Os investigadores avaliaram que o material oferecido não acrescentava informações relevantes às provas já reunidas na investigação, incluindo dados extraídos dos celulares de Vorcaro.
A análise dos aparelhos, por outro lado, abriu novas linhas de apuração e levou à 10ª fase da Operação Compliance Zero. A etapa investigou suspeitas envolvendo intimidação de jornalistas, acesso indevido a informações sigilosas e possíveis ações para interferir em investigações e atingir a credibilidade do Banco Central. Vorcaro permanece preso em Brasília e é investigado no caso que levou à liquidação do Banco Master, enquanto a Polícia Federal e a defesa do empresário foram procuradas para comentar as novas acusações e não haviam se manifestado até a publicação do material de origem.