Um telefone atribuído a Alexandre de Moraes nos registros extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, também foi relacionado ao nome do ministro em diferentes serviços digitais. A associação foi identificada pela BBC News Brasil por meio de uma plataforma de inteligência de fontes abertas e posteriormente apareceu em outros sistemas de identificação de chamadas e busca reversa.
O relatório da Polícia Federal, que veio a público após decisão do ministro André Mendonça, não confirma de maneira expressa que o telefone pertencia a Moraes. O aparelho de Vorcaro, porém, armazenava quatro registros relacionados ao mesmo número, incluindo referências a Alexandre de Moraes, ao STF e ao TSE. A PF classificou as interações encontradas como possíveis contatos entre o banqueiro e o ministro. Os dados do aparelho indicam ainda que os números teriam sido compartilhados pelo ex-ministro Fábio Faria em uma conversa de WhatsApp realizada em dezembro de 2023.
A apuração digital também encontrou o telefone associado a um perfil do TikTok identificado como Xandao. A conta, criada em 2024, tem poucos seguidores e acompanha apenas um perfil. Entre os seguidores estão Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e uma das filhas do casal. A mesma investigação relacionou o número utilizado pelo perfil de Viviane ao telefone que consta no relatório policial como vinculado a ela. O número atribuído a Moraes também apareceu associado ao nome do ministro em serviços como SimplerMe, Calling App e Truecaller.
VEJA MAIS:
A ausência das mensagens enviadas pelo suposto interlocutor impede, entretanto, uma reconstrução completa das conversas. A perícia teve acesso somente ao aparelho de Vorcaro, que armazenava mensagens e arquivos relacionados aos contatos. Parte dos diálogos foi reconstruída a partir de capturas de tela feitas pelo banqueiro e enviadas pelo WhatsApp em formato de visualização única. Arquivos temporários gerados pelo próprio iPhone também foram recuperados pelos investigadores.
Os registros analisados pela PF incluem conversas sobre o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane. Os documentos mostram que Vorcaro acompanhava diretamente os pagamentos à banca e cobrava integrantes do banco para evitar atrasos. Em fevereiro de 2024, houve uma transferência de R$ 3,42 milhões para a conta do escritório, valor que aparece entre os pagamentos identificados na investigação. A análise dos metadados de um arquivo relacionado ao contrato também apontou Alexandre de Moraes como responsável por uma edição do documento.
O escritório Barci de Moraes afirma que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes antes da contratação para verificar possíveis impedimentos legais, justamente porque o ministro é marido de Viviane, sócia-diretora da banca. A defesa sustenta que não havia restrição para a prestação dos serviços e que o ministro não atuou em processos envolvendo o Banco Master. O gabinete de Moraes foi procurado para comentar as associações digitais e os demais elementos apresentados na investigação, mas não havia respondido até a publicação da reportagem.