O escritório Barci de Moraes confirmou que consultou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), antes de formalizar um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master. Segundo a banca, a consulta teve como objetivo verificar se existia algum impedimento legal para assumir a representação da instituição financeira.
A confirmação veio após a divulgação de informações obtidas pela Polícia Federal no âmbito da investigação que apura a atuação de Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master. A apuração também trouxe novos elementos sobre os contatos mantidos entre Vorcaro e Moraes, ampliando a atenção sobre as relações envolvendo o banqueiro, o ministro e o escritório de sua esposa.
De acordo com a explicação apresentada pela banca, o setor de compliance realizou a consulta considerando a posição de Moraes como marido de Viviane Barci de Moraes, sócia diretora do escritório. O objetivo teria sido verificar a existência de processos relacionados ao Master sob relatoria do ministro ou de julgamentos na Corte que pudessem gerar algum impedimento à contratação.
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O escritório sustenta que a verificação não identificou impedimentos para a prestação dos serviços. A banca afirma que não havia previsão de atuação perante o STF e que Moraes não havia julgado causas envolvendo o Banco Master, circunstâncias que, segundo a justificativa apresentada, permitiram a assinatura do contrato e a execução dos serviços advocatícios.
A contratação ocorreu entre 2024 e novembro de 2025, período que terminou com a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. No mesmo mês, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal. A investigação passou a examinar, entre outros pontos, a rede de contatos e de influência atribuída ao empresário e o acesso que ele teria obtido a informações de diferentes instituições.
Na decisão que retirou o sigilo do inquérito, o ministro André Mendonça destacou que os dados reunidos pela investigação poderiam ter sido utilizados para orientar estratégias relacionadas às negociações econômicas do Master. O material também levanta a possibilidade de que informações obtidas pelo grupo investigado tenham sido usadas em planos para evitar a atuação das autoridades, mas as circunstâncias ainda são objeto de apuração.