25 de agosto de 2026
CIÊNCIA

Pesquisa revela ligação entre evolução cerebral e autismo; Veja

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Cientistas investigaram como mudanças evolutivas no cérebro humano podem ter aumentado a vulnerabilidade ao autismo.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, encontrou uma possível relação entre a evolução do cérebro humano e a vulnerabilidade ao transtorno do espectro autista (TEA). O estudo aponta que um tipo específico de neurônio, presente em grande quantidade no córtex cerebral, passou por mudanças evolutivas especialmente rápidas na linhagem humana.

A descoberta chama atenção porque essas transformações ocorreram ao mesmo tempo em que foram observadas alterações na atividade de genes associados ao autismo. Segundo os pesquisadores, o resultado pode ajudar a explicar por que determinadas características que diferenciam o cérebro humano também podem ter aumentado sua sensibilidade a alterações relacionadas ao transtorno.

A pesquisa foi publicada na revista Molecular Biology and Evolution e analisou dados de expressão gênica de mais de 1 milhão de neurônios. O material foi obtido a partir de três conjuntos independentes de dados e envolveu seis espécies de mamíferos, permitindo aos cientistas comparar como diferentes tipos de células cerebrais mudaram ao longo da evolução.

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Neurônios passaram por evolução acelerada

O foco do trabalho foram os neurônios L2/3 IT, encontrados nas camadas superiores do córtex cerebral. Essas células participam da comunicação entre diferentes regiões do cérebro e estão relacionadas a circuitos envolvidos em funções cognitivas complexas.

Ao comparar diferentes espécies, os pesquisadores identificaram um padrão geral: tipos de neurônios mais abundantes tendem a apresentar maior conservação genética ao longo da evolução. Isso ocorre porque mudanças em células numerosas podem produzir efeitos mais amplos no organismo. Os neurônios L2/3 IT, porém, contrariaram essa tendência.

Na linhagem humana, essas células apresentaram sinais de evolução particularmente rápida em comparação com outros primatas. A análise também identificou uma redução coordenada na expressão de 34 genes associados ao autismo nesses neurônios, indicando que as transformações evolutivas podem ter alterado a forma como determinados genes são regulados no cérebro humano.

O que isso significa para o autismo?

A hipótese apresentada pelos pesquisadores é que algumas mudanças que contribuíram para características específicas do cérebro humano também podem ter aumentado sua vulnerabilidade a determinadas alterações. Esse possível compromisso evolutivo significa que uma transformação vantajosa em determinado contexto pode, ao mesmo tempo, trazer maior risco para outros processos biológicos.

Os resultados, no entanto, não significam que a evolução seja uma causa direta do autismo. O estudo identifica uma associação entre mudanças evolutivas nos neurônios L2/3 IT e alterações na expressão de genes relacionados ao transtorno. A relação de causa e efeito ainda precisa ser investigada em novos trabalhos.

Os pesquisadores apontam que o modelo poderá ser testado futuramente em células, organoides cerebrais e outros modelos experimentais. A expectativa é entender melhor como mudanças específicas na regulação dos genes influenciam o funcionamento dos neurônios humanos e, a partir disso, ampliar o conhecimento sobre a origem e os mecanismos biológicos relacionados ao autismo.