17 de agosto de 2026
GIGANTE VAREJISTA

Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas

Por Will Baldine | Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Pedido foi protocolado na Justiça de São Paulo e prevê medidas para reduzir custos, incluindo fechamento de lojas e demissões

O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial no Foro Central Cível de São Paulo para renegociar um passivo estimado em R$ 17,3 bilhões. A companhia também anunciou medidas de redução de despesas, entre elas o fechamento de quase 300 lojas e o desligamento de aproximadamente 3 mil funcionários.

Segundo a empresa, as ações fazem parte de um processo de reorganização financeira diante do aumento das despesas e das dificuldades enfrentadas pelo setor varejista. O grupo afirma que o objetivo é preservar as operações e criar condições para a continuidade das atividades.

Saiba mais:

O pedido ocorre um dia após a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. O valor representa uma alta de aproximadamente 18 vezes em relação ao prejuízo registrado no mesmo período de 2025.

De acordo com informações apresentadas pela empresa à Justiça, a redução dos custos operacionais é uma das medidas previstas para a recuperação financeira. O corte de pessoal representa cerca de 10% do quadro de funcionários, que era formado por 30.117 trabalhadores no fim de junho.

Juros e restrição de crédito

Na petição apresentada à Justiça, o Grupo Casas Bahia relaciona parte das dificuldades financeiras ao cenário de juros elevados, à redução da oferta de crédito e à pressão sobre o capital de giro.

A empresa afirma que o pedido de recuperação judicial tem como objetivo reorganizar as dívidas e permitir a continuidade das atividades comerciais e de prestação de serviços.

O modelo de negócios do grupo, que possui operações relacionadas à venda de produtos a prazo, foi afetado pelo aumento do custo do crédito e pelas condições financeiras do mercado. Relatórios recentes também haviam levantado dúvidas sobre a capacidade de manutenção das operações diante do cenário de endividamento.

Tentativa de negociação fora da Justiça

A recuperação judicial ocorre após uma tentativa de reestruturação financeira realizada diretamente com credores a partir de 2024. As negociações extrajudiciais, no entanto, não resultaram em um acordo capaz de solucionar o volume de dívidas da companhia.

Com o processo judicial, a empresa poderá solicitar o chamado stay period, mecanismo previsto na legislação que suspende, por 180 dias, determinadas ações e cobranças contra a companhia. O prazo pode ser prorrogado nas condições previstas pela lei.

Durante esse período, a empresa deverá apresentar e negociar um plano de recuperação com os credores. O processo envolve diferentes tipos de dívidas, incluindo compromissos com fornecedores, trabalhadores e instituições financeiras.

Operações continuam

O pedido de recuperação judicial não significa o encerramento imediato das atividades do Grupo Casas Bahia. As lojas e os canais digitais da empresa continuam funcionando, enquanto a companhia busca reorganizar sua estrutura financeira.

Para os consumidores, a recuperação judicial pode gerar dúvidas sobre compras, pagamentos, garantias e serviços de pós-venda. As relações de consumo continuam submetidas à legislação vigente, independentemente do processo de recuperação da empresa.

O caso também chama a atenção para as dificuldades enfrentadas pelo varejo brasileiro nos últimos anos. Além do custo do crédito, empresas do setor enfrentam mudanças no comportamento dos consumidores, crescimento do comércio eletrônico e aumento da concorrência com plataformas digitais.

A recuperação judicial deverá ser acompanhada pelos credores, investidores, fornecedores, funcionários e consumidores durante as próximas etapas do processo. A continuidade das operações dependerá da aprovação e da execução do plano de recuperação apresentado pela companhia.