Encontrar um escorpião dentro de casa pode causar preocupação, principalmente em uma cidade que registra centenas de acidentes todos os anos. Em Piracicaba, foram 1.174 acidentes com escorpiões entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados da Vigilância Epidemiológica. Em 2024, foram 1.240 ocorrências e, em 2023, 1.458, ano em que houve um óbito.
O aparecimento desses animais dentro das residências está relacionado principalmente à oferta de abrigo e alimento. Segundo o professor de Biologia do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Fabrício Escarlate, o escorpião-amarelo se adaptou aos ambientes urbanos e encontra nas cidades condições favoráveis para sobreviver. "Quando desmatamos uma área e construímos casas, acabamos criando condições favoráveis para que ele encontre abrigo, alimento e se prolifere", explica o especialista.
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Frestas, rachaduras, buracos em paredes e pisos, pilhas de madeira, telhas, tijolos, entulho e materiais de construção estão entre os locais que podem servir de abrigo para os escorpiões. De acordo com Escarlate, esses espaços oferecem proteção e condições adequadas para a sobrevivência dos animais. No ambiente urbano, eles também podem aparecer em caixas de gordura, fossas, redes de esgoto e galerias subterrâneas.
Outro fator de atenção é a presença de baratas. Os insetos estão entre as principais fontes de alimento dos escorpiões e, por isso, ambientes com infestação podem favorecer a permanência desses animais.
A entrada pelos sistemas de esgoto é um dos pontos que merecem cuidado dentro das residências. Por isso, a Prefeitura de Piracicaba recomenda a instalação de ralos com sistema abre-fecha e a vedação de soleiras e frestas que possam permitir a passagem dos animais. Também é importante evitar o acúmulo de objetos no chão e verificar roupas, toalhas, calçados e roupas de cama antes do uso, principalmente quando ficam armazenados ou pouco utilizados.
Algumas medidas simples ajudam a reduzir os esconderijos e a oferta de alimento:
A organização do ambiente não elimina completamente a possibilidade de aparecimento de escorpiões, mas reduz os locais disponíveis para abrigo e facilita a identificação dos animais.
Segundo o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Piracicaba, o uso de inseticidas não é recomendado como estratégia de controle de escorpiões. O produto pode desalojar o animal de seu esconderijo e fazê-lo circular por outros locais, aumentando a possibilidade de contato com pessoas. O controle das baratas, por outro lado, é uma medida importante, já que esses insetos fazem parte da alimentação dos escorpiões.
A recomendação é não tentar pegar o animal com as mãos. Caso seja necessário removê-lo, o ideal é acionar o serviço responsável pelo controle de zoonoses do município. Em Piracicaba, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) oferece orientações e recebe solicitações pelo SIP 156. O serviço também pode ser acionado para situações relacionadas à presença de animais sinantrópicos.
O CCZ também realiza ações educativas. Em julho de 2026, equipes do órgão e do Núcleo de Educação em Urgências estiveram em uma escola rural de Ibitiruna para orientar professores e famílias sobre prevenção de acidentes com animais peçonhentos.
Em caso de acidente, a orientação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico o mais rapidamente possível. Não devem ser aplicados produtos ou substâncias caseiras sobre a região atingida. Crianças de até 10 anos precisam de atenção especial, pois podem apresentar quadros mais graves. Em Piracicaba, a Santa Casa e a UPA Vila Cristina são referências para atendimento de acidentes com escorpiões e possuem soro antiescorpiônico.
Entre os sintomas que podem surgir estão dor intensa no local da picada, vômitos e alterações no estado geral. Diante de qualquer acidente, a recomendação é buscar atendimento sem demora.