A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos debates televisivos do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 ainda não foi definida. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a campanha analisa a possibilidade de o presidente não participar dos confrontos entre os candidatos durante a fase inicial da disputa.
De acordo com a publicação, a avaliação faz parte da estratégia eleitoral do PT e considera o atual cenário das pesquisas de intenção de voto, nas quais Lula aparece à frente dos demais concorrentes. A definição deverá ocorrer nas semanas que antecedem o início oficial da campanha.
Saiba mais:
A discussão também divide integrantes da coordenação da campanha. Um grupo defende a presença do presidente nos debates para responder diretamente ao senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como um dos principais adversários na corrida ao Palácio do Planalto. Outra ala avalia que a participação poderá ampliar o espaço para ataques dos demais candidatos durante os encontros promovidos pelas emissoras de televisão.
Pelas regras da legislação eleitoral, os veículos de comunicação são obrigados a convidar candidatos de partidos ou federações com representação mínima no Congresso Nacional. Como PT e PL atendem ao requisito, Lula e Flávio Bolsonaro deverão estar entre os convidados para os debates, caso mantenham suas candidaturas.
O primeiro debate do calendário eleitoral está previsto para o dia 16 de agosto e será promovido pela TV Bandeirantes. A data coincide com a programação prevista para o lançamento oficial da candidatura de Lula, inicialmente planejado para ocorrer no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Segundo a Folha de S.Paulo, a campanha estuda ajustes na agenda para conciliar os dois eventos ou priorizar um deles.
A escolha da Vila Euclides está relacionada à trajetória política de Lula. O estádio foi palco das greves dos metalúrgicos do ABC Paulista no fim da década de 1970, movimento que marcou o início de sua projeção nacional.
Além da estratégia para os debates, a campanha pretende concentrar parte das atividades em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. O objetivo é ampliar o desempenho do presidente no estado e fortalecer a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad ao governo paulista.
Segundo levantamento da Quaest citado pela Folha de S.Paulo, Lula aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 28%. Em um eventual segundo turno, o presidente teria 45% das intenções de voto, contra 37% do senador.