Um novo capítulo no tratamento do colesterol alto começou nesta quinta-feira (16), com a aprovação do primeiro comprimido da classe dos inibidores da proteína PCSK9 pela agência reguladora dos Estados Unidos (FDA). Batizado de Lipfendra (enlicitide), o medicamento apresentou resultados expressivos em estudos clínicos, reduzindo os níveis do colesterol LDL em até 59%.
Voltado para adultos com colesterol elevado, incluindo pacientes com hipercolesterolemia familiar, o remédio chega como uma alternativa às terapias injetáveis que, até agora, eram as únicas capazes de atuar nesse mesmo mecanismo. A proposta é ampliar as opções de tratamento para pessoas que precisam de um controle mais intenso do LDL.
Apesar do avanço, especialistas reforçam que o novo medicamento deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de controle da doença, mantendo alimentação equilibrada, prática de atividades físicas e acompanhamento médico regular.
VEJA MAIS:
O colesterol LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim, pode se acumular nas paredes das artérias ao longo dos anos. Esse processo favorece o estreitamento dos vasos sanguíneos e aumenta o risco de problemas graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O Lipfendra age bloqueando a proteína PCSK9, responsável por reduzir a capacidade do fígado de retirar o colesterol da circulação. Com essa proteína inibida, o organismo passa a eliminar uma quantidade maior de LDL, contribuindo para manter os níveis da substância sob controle.
Além do mecanismo inovador, o grande diferencial da terapia está na praticidade. Enquanto os medicamentos da mesma classe são administrados por injeção, o novo tratamento é feito por meio de um comprimido de uso diário.
A aprovação da FDA teve como base dois estudos clínicos envolvendo 3.207 adultos que já realizavam tratamento para diminuir o colesterol. Entre os participantes estavam pessoas com doença cardiovascular, pacientes de alto risco e indivíduos com hipercolesterolemia hereditária.
Após 24 semanas de tratamento, os pesquisadores observaram reduções médias entre 56% e 59% nos níveis de colesterol LDL. Os resultados foram consistentes tanto entre pacientes com doenças cardiovasculares quanto naqueles com predisposição genética para colesterol elevado.
Embora os dados sejam considerados promissores, as pesquisas continuam para confirmar se essa queda do LDL também será acompanhada por uma redução nos casos de infarto, AVC e mortes por doenças cardiovasculares. Durante os estudos, os efeitos adversos mais relatados foram diarreia e tontura, enquanto o perfil geral de segurança permaneceu semelhante ao observado entre os participantes que não utilizaram o medicamento. A autorização foi concedida em regime de revisão prioritária pela FDA e o registro pertence à Merck Sharp & Dohme LLC.