As manchas escuras que aparecem abaixo dos olhos de cães e gatos costumam chamar a atenção dos tutores por causa da aparência. No entanto, o que muitos consideram apenas um problema estético pode ser um importante sinal de alerta sobre a saúde ocular dos animais. Conhecida popularmente como "lágrima ácida", a condição pode estar associada a diferentes fatores que exigem atenção veterinária.
Apesar do nome popular, a chamada lágrima ácida não possui características ácidas. O escurecimento dos pelos acontece devido à oxidação de componentes presentes na secreção lacrimal, que entram em contato com o ar e permanecem acumulados na pelagem, principalmente em animais de pelos claros.
Além da alteração na coloração, a umidade constante favorece a proliferação de fungos e bactérias na região, aumentando o risco de irritações na pele, infecções e até dermatites mais graves.
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Algumas raças são mais propensas ao problema por conta de suas características anatômicas. Cães braquicefálicos, que possuem focinho achatado e olhos mais expostos, frequentemente apresentam dificuldades na drenagem natural das lágrimas.
Entre as raças mais afetadas estão Shih-Tzu, Lhasa Apso, Pug, Maltês, Poodle e Bulldog Francês. Nesses animais, o excesso de lacrimejamento pode ocorrer de forma recorrente devido à conformação facial.
Diversos fatores podem estar por trás do lacrimejamento excessivo. Entre os mais comuns estão obstruções nos canais lacrimais, que impedem o escoamento adequado da secreção e provocam seu transbordamento pela região dos olhos.
Alergias alimentares ou ambientais também aparecem entre as causas frequentes. Poeira, fumaça e determinados ingredientes da alimentação podem desencadear processos inflamatórios e estimular uma produção maior de lágrimas.
Outro motivo recorrente é o contato constante de pelos com a córnea. Fios muito longos ou posicionados próximos aos olhos causam irritação e fazem com que o organismo aumente a produção de secreção para proteger a superfície ocular.
Nem sempre a origem do problema está diretamente na região ocular. Infecções dentárias e inflamações na gengiva podem interferir no funcionamento dos canais lacrimais, dificultando a drenagem das lágrimas.
Outra condição que merece atenção é a distiquíase, alteração em que cílios nascem voltados para a parte interna da pálpebra. O atrito contínuo desses fios contra a córnea provoca desconforto, dor e estimula o lacrimejamento constante.
Especialistas reforçam que a avaliação veterinária é fundamental para identificar a causa do problema e definir o tratamento mais adequado. Dependendo do diagnóstico, podem ser necessários ajustes alimentares, medicamentos, higienização específica ou procedimentos oftalmológicos.
Entre os cuidados preventivos estão a manutenção dos pelos faciais sempre aparados, a limpeza regular da região dos olhos com produtos recomendados por profissionais e a oferta de alimentação de qualidade. Também é importante observar sinais como vermelhidão, coceira, secreção excessiva, sensibilidade à luz e odor forte, que podem indicar problemas mais sérios na saúde ocular dos pets.