24 de junho de 2026
COPA DO MUNDO

Por que mais brasileiros estão se afastando da Seleção?

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Foto: Rafael Ribeiro / CBF
Pesquisa aponta que 54% dos brasileiros não têm interesse na Copa do Mundo de 2026, o maior índice registrado desde 1994.

O interesse pela Seleção Brasileira já não é unanimidade. Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, pesquisas apontam um aumento significativo no número de brasileiros que pretendem ignorar o torneio ou até torcer contra a equipe. O fenômeno, que antes era restrito a pequenos grupos, ganhou força nos últimos anos e reflete mudanças profundas na relação entre o país e seu esporte mais popular.

Dados recentes mostram que mais da metade da população não demonstra entusiasmo pela competição, enquanto quase um terço afirma que não pretende acompanhar os jogos. Para especialistas em esporte e cultura, o cenário é resultado de uma combinação de fatores que envolve transformações sociais, políticas e geracionais.

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INTERVALO ENTRE A PAIXÃO E A IDENTIDADE

A relação emocional dos brasileiros com o futebol mudou. Se em décadas passadas a Seleção era um símbolo capaz de mobilizar o país inteiro, hoje ela divide espaço com inúmeras formas de entretenimento, como redes sociais, plataformas de streaming e videogames. Para pesquisadores da área, as novas gerações cresceram em um ambiente muito mais diversificado, o que reduziu a centralidade do futebol em seu cotidiano.

Outro elemento apontado pelos estudiosos é a dificuldade de identificação com os jogadores atuais. A globalização do esporte ampliou a influência de clubes europeus e de estrelas internacionais sobre os jovens torcedores. Ao mesmo tempo, a presença reduzida de atletas que atuam no futebol brasileiro contribuiu para enfraquecer a conexão entre a Seleção e o público nacional, enquanto clubes locais passaram a ocupar um espaço cada vez maior na preferência dos fãs.

ENTRE TRAUMAS, POLÍTICA E NOSTALGIA

O histórico recente da Seleção também ajuda a explicar esse afastamento. A derrota por 7 a 1 para a Alemanha na Copa de 2014 é frequentemente apontada como um marco simbólico. Para quem cresceu após aquele episódio, o Brasil deixou de representar a imagem de potência invencível construída ao longo de décadas. Já para torcedores mais antigos, a lembrança da goleada reforçou uma sensação de frustração e perda de protagonismo.

Além disso, a associação da camisa amarela e de outros símbolos nacionais a disputas políticas intensificou divisões entre os brasileiros. Especialistas observam que o uso da vestimenta por movimentos ideológicos específicos fez com que parte da população passasse a evitar o uniforme da Seleção. Apesar disso, pesquisadores destacam que os símbolos nacionais pertencem a toda a sociedade e que apoiar ou criticar a equipe não deve ser confundido com posicionamentos políticos ou patriotismo.

Mesmo diante da queda de interesse, a Copa do Mundo continua sendo vista por muitos como um momento de celebração coletiva. Reuniões entre amigos, encontros familiares e a atmosfera festiva do torneio seguem atraindo milhões de brasileiros, independentemente da relação que mantêm com a Seleção dentro de campo.