O Ministério da Saúde determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan após o registro de 2 óbitos suspeitos e outros eventos adversos graves em pessoas imunizadas. A medida tem caráter preventivo e permanecerá em vigor enquanto autoridades sanitárias aprofundam as investigações para verificar uma possível relação entre os casos e a vacina.
Até 30 de maio, aproximadamente 500 mil doses haviam sido aplicadas no país, sendo a maior parte destinada a profissionais de saúde. Segundo dados oficiais, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% dos vacinados. Entre elas, 42 ocorrências apresentaram sinais de alerta considerados graves, representando apenas 0,008% do total de pessoas imunizadas.
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Dos 42 casos classificados como graves, três evoluíram para quadros considerados mais severos pelas autoridades de saúde. Um deles envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para dengue grave com choque, exigindo internação em unidade de terapia intensiva (UTI), mas a paciente se recuperou após tratamento médico.
Os dois casos que resultaram em morte são o principal foco da investigação. O primeiro ocorreu com uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas compatíveis com dengue grave 19 dias após a imunização. Além das complicações típicas da doença, ela apresentou comprometimento neurológico associado a um quadro de meningoencefalite e não resistiu.
O segundo óbito foi registrado em um homem de 58 anos. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, ele apresentou febre cinco dias após receber a vacina e teve rápida evolução para dengue grave com choque refratário, condição em que o organismo não responde adequadamente às medidas terapêuticas. O paciente morreu após o agravamento do quadro clínico.
Apesar da gravidade dos episódios, o Ministério da Saúde informou que, até o momento, não há evidências suficientes para confirmar que as mortes tenham sido causadas pela vacina. As investigações seguem em andamento e envolvem equipes de vigilância municipais, estaduais, especialistas independentes, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan, que analisam os históricos clínicos e epidemiológicos dos pacientes para determinar se existe relação direta entre a imunização e os desfechos registrados.
Com a interrupção da campanha, estados e municípios foram orientados a suspender novas aplicações e intensificar a busca ativa por possíveis reações adversas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deverá reunir especialistas para conduzir uma investigação epidemiológica detalhada em conjunto com o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan.
A recomendação para quem recebeu a vacina nos últimos 21 dias é manter atenção a sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral. Apesar da suspensão, autoridades sanitárias destacam que a medida não invalida os estudos já realizados sobre a eficácia e a segurança do imunizante, considerado o primeiro do mundo contra a dengue em dose única e totalmente desenvolvido no Brasil.
Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que seguirá as orientações do Ministério da Saúde e da Anvisa, colaborando com novas análises e estudos. A instituição ressaltou que o imunizante apresentou eficácia global de 79,6% e proteção de 89% contra formas graves da doença em pesquisas científicas publicadas internacionalmente, reafirmando o compromisso com o rigor científico e a segurança da população.