A busca por tratamentos capazes de evitar a progressão da doença renal crônica ganhou um importante aliado. Um estudo publicado no prestigiado periódico científico New England Journal of Medicine revelou que a finerenona, medicamento já utilizado para proteger os rins de pacientes com diabetes tipo 2, também pode beneficiar pessoas que não convivem com a doença.
Os resultados indicam que o remédio ajuda a desacelerar o comprometimento da função renal e pode reduzir o risco de complicações graves, aumentando as chances de os pacientes adiarem tratamentos mais invasivos, como a diálise ou até mesmo o transplante de rins.
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A finerenona age bloqueando de forma seletiva receptores presentes em células dos rins e de outros órgãos. Quando ativados em excesso, esses receptores favorecem processos inflamatórios e cicatrizes nos tecidos, contribuindo para a piora gradual da doença renal crônica.
No estudo, 1.584 adultos com doença renal crônica e excesso de proteínas na urina participaram de um acompanhamento que durou cerca de 32 meses. Nenhum deles tinha diagnóstico de diabetes. Todos recebiam os tratamentos considerados essenciais para a condição, mas parte do grupo passou a utilizar a finerenona, enquanto os demais receberam placebo.
Ao final da pesquisa, os pacientes tratados com o medicamento apresentaram uma perda mais lenta da função dos rins. Embora a diferença observada possa parecer discreta em números absolutos, especialistas consideram o resultado relevante por se tratar de uma doença que costuma avançar de forma contínua ao longo dos anos.
Os pesquisadores também observaram uma redução de 23% no risco de eventos graves, como piora acentuada da função renal, falência dos rins, internações por insuficiência cardíaca e mortes por causas cardiovasculares. O estudo representa um avanço importante porque mais da metade dos casos de doença renal crônica ocorre em pessoas sem diabetes, grupo que até então contava com menos evidências sobre os benefícios da finerenona.
Apesar dos resultados promissores, os cientistas alertam que o medicamento deve ser utilizado sob acompanhamento médico. O efeito colateral mais frequente identificado foi o aumento dos níveis de potássio no sangue, o que reforça a necessidade de monitoramento por meio de exames periódicos.
Atualmente, a doença renal crônica afeta cerca de 800 milhões de adultos em todo o mundo e muitas vezes evolui silenciosamente. Por isso, estratégias capazes de preservar a função dos rins por mais tempo são vistas como fundamentais para reduzir a necessidade futura de diálise e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.