O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para apurar possíveis falhas na preservação do Museu Prudente de Moraes, em Piracicaba. Tombado como patrimônio histórico, o imóvel do século XIX foi residência de Prudente de Moraes, primeiro presidente civil do Brasil.
A medida foi adotada após questionamentos sobre as condições de conservação do prédio. Nos últimos dias, o Museu Prudente de Moraes voltou a ser tema de discussões devido aos sinais de desgaste estrutural e à falta de manutenção observados em diferentes pontos da área externa do imóvel. A situação gerou manifestações de representantes do poder público e de moradores interessados na preservação do patrimônio histórico da cidade.
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De acordo com o Ministério Público, a Prefeitura de Piracicaba foi notificada e terá prazo de 30 dias para apresentar informações sobre o andamento das intervenções previstas para o edifício. O órgão busca esclarecer quais medidas estão sendo adotadas para garantir a conservação do imóvel e evitar a deterioração de sua estrutura.
Em março deste ano, a administração municipal anunciou um projeto de reforma avaliado em R$ 1,5 milhão. A proposta prevê a recuperação do museu com referências adotadas na restauração do Museu do Ipiranga. No entanto, os processos relacionados à licitação e à execução das obras enfrentam dificuldades desde 2022, o que tem contribuído para o atraso das intervenções.
O Ministério Público também avalia a possibilidade de adoção de medidas judiciais caso sejam constatadas irregularidades ou omissões na preservação do patrimônio histórico.
Fundado em 1957, o Museu Prudente de Moraes reúne documentos, objetos e registros ligados à trajetória política de Prudente de Moraes e ao processo de urbanização de Piracicaba. O espaço é considerado uma das principais referências para a preservação da memória histórica do município.
Com a abertura do inquérito civil, o Ministério Público acompanhará as providências adotadas pelo município e a situação do imóvel, que permanece fechado para obras e aguarda a definição dos próximos passos para sua recuperação.
A reportagem do JP entrou em contato com a Prefeitura, que em nota, disse: "A Prefeitura informa que foi notificada pelo MP em relação à instauração do inquérito e prestará todos os esclarecimentos que forem solicitados.
Também informa que, conforme divulgado no dia 19/05/2026, o município foi selecionado no Edital Iphan nº 11/2025, iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ligado ao Governo Federal, voltada à conservação, organização e ampliação do acesso aos acervos documentais presidenciais.
O edital prevê um repasse de R$ 1.370.949,32, além de uma contrapartida de R$ 230 mil do tesouro municipal. Esse recurso será aplicado na recuperação do Museu Prudente de Moraes, seguindo plano de trabalho apresentado pelo município.
Entre as intervenções previstas estão a reforma dos telhados e a recuperação de estruturas de madeira comprometidas pela ação do tempo, infiltrações e umidade, incluindo beirais, forros e áreas do alpendre da antiga residência presidencial. A proposta também prevê medidas específicas de proteção ao acervo durante as obras, garantindo a preservação de documentos, móveis e demais peças históricas.
A preservação do Museu Prudente de Moraes é uma demanda discutida há anos pelo município. Desde 2022, a Prefeitura de Piracicaba busca viabilizar obras de manutenção, conservação e restauro do prédio histórico por meio de editais para contratação de empresas especializadas. No entanto, os processos anteriores enfrentaram dificuldades, incluindo licitações sem interessados e entraves envolvendo empresas vencedoras, o que acabou adiando o início das intervenções necessárias no casarão histórico".