29 de maio de 2026
GATOS DO CEMITÉRIO

Falta de cuidado gera polêmica; problema se estende desde 2012

Por Will Baldine | Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Alyson Rodrigues/JP1
Segundo os voluntários, o abastecimento teria sido interrompido por quase quatro meses no início de 2025

O Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu tutela de urgência determinando que a Prefeitura de Piracicaba restabeleça o fornecimento de ração aos gatos abandonados no Cemitério da Saudade. O tema foi debatido em uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (29) por voluntários da ONG Gatos do Cemitério, que atuam há mais de 18 anos no manejo da colônia felina existente no local, atualmente estimada pela entidade em cerca de 900 animais.

Segundo os voluntários, o abastecimento teria sido interrompido por quase quatro meses no início de 2025, já durante a atual gestão municipal. Ainda de acordo com a ONG, entre 2024 e 2025 houve redução na quantidade de ração adquirida pela Prefeitura para atendimento da colônia.

Saiba mais:

A equipe de reportagem do JP esteve na coletiva de imprensa e conversou com Elcian Granado, uma das coordenadoras do projeto.

“Sou voluntária na equipe dos gatos do Cemitério da Saudade desde 2007. Em 2012, devido a uma matança de gatos no local, entramos com uma representação contra a Prefeitura e conseguimos iniciar negociações em 2014. A partir dessa representação, foi firmado o fornecimento de ração pela Prefeitura. Também foram prometidas medidas como vigilância, instalação de câmeras de segurança e tratamento veterinário, mas, segundo ela, apenas o fornecimento de ração vinha sendo mantido desde então”, afirmou.

Elcian declarou ainda que a licitação aberta em 2024 pela administração anterior previa uma quantidade maior de ração. Segundo ela, após a entrada da atual gestão, uma nova licitação teria reduzido o fornecimento para 15 quilos diários.

“Foi aí que começou nossa mobilização para tentar restabelecer os 30 quilos de ração por dia”, disse.

Ainda segundo a coordenadora, a quantidade considerada necessária atualmente seria superior.

“Hoje entendemos que o mínimo necessário seria 40 quilos de ração por dia. Mesmo assim, a média por animal ainda seria insuficiente”, afirmou.

A advogada do projeto Gatos do Cemitério, Silvia Machuca, também participou da coletiva. Segundo ela, uma ação popular foi protocolada após a suspensão do fornecimento.

“Os gatos ficaram cerca de 120 dias sem fornecimento de ração pela Prefeitura. A partir de maio de 2026, o abastecimento passou a corresponder à metade do que vinha sendo oferecido anteriormente”, declarou.

De acordo com Silvia, o volume atualmente fornecido corresponderia a aproximadamente 16 gramas de ração por animal ao dia, enquanto a recomendação veterinária mencionada pela defesa seria entre 60 e 70 gramas diárias.

A Prefeitura apresentou um estudo técnico apontando que a colônia existente no Cemitério da Saudade possui entre 30 e 40 gatos. O levantamento foi elaborado por Maurício Etechebere, gerente da causa animal do município.

A ONG, no entanto, contesta os números apresentados pela administração municipal e afirma que acompanha cerca de 900 animais no local.

Segundo Silvia Machuca, a defesa pede a realização de uma nova perícia no cemitério.

“O pedido é para que seja feita uma nova constatação técnica no local, porque entendemos que o número apresentado pela Prefeitura não corresponde à realidade acompanhada pelos voluntários”, afirmou.

A advogada também declarou esperar que a decisão judicial seja cumprida sem apresentação de recurso por parte da Prefeitura.