O Ministério Público de Santa Catarina pediu o arquivamento da investigação sobre a morte do cão Orelha após concluir que não há provas de agressão praticada por adolescentes na Praia Brava, em Itajaí. A decisão foi baseada em um extenso material pericial que reuniu quase 170 páginas de análises técnicas, vídeos, imagens e documentos produzidos ao longo da apuração.
Segundo o MPSC, o conjunto de provas aponta que o cachorro morreu em decorrência do agravamento de doenças e condições clínicas preexistentes. A investigação revisou cerca de dois mil arquivos para reconstruir a cronologia dos fatos e verificar inconsistências na linha do tempo apresentada inicialmente pela Polícia Civil.
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Um dos principais pontos destacados pelo Ministério Público envolve divergências nos horários registrados pelas câmeras públicas e privadas usadas no inquérito. A análise técnica identificou uma diferença aproximada de 30 minutos entre os sistemas de gravação.
Com a correção dos horários, os investigadores do MP concluíram que o adolescente apontado no caso estava a cerca de 600 metros do cachorro no momento em que teria ocorrido a suposta agressão.
As imagens analisadas também mostraram Orelha caminhando normalmente e sem sinais aparentes de debilidade quase uma hora depois do horário inicialmente considerado pela investigação policial. Para o Ministério Público, isso enfraquece a hipótese de que o animal teria sofrido violência recente na praia.
Os exames periciais realizados após a exumação do corpo não encontraram fraturas, cortes ou lesões compatíveis com maus-tratos recentes. Em contrapartida, os peritos identificaram sinais de osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea considerada grave e crônica.
As análises anexadas ao processo também apontaram uma lesão antiga e profunda no crânio do animal, além de inflamações, perda de pelos e descamação na região afetada. O edema observado pelo veterinário responsável pelo atendimento de Orelha foi considerado compatível com esse quadro clínico.
Outro fator citado pelo Ministério Público foi a morte da cadela Pretinha, companheira do cão, poucos dias depois, em decorrência da doença do carrapato. Para o órgão, o episódio reforça o cenário de vulnerabilidade sanitária em que os animais viviam.
Diante das conclusões técnicas, o MPSC sustentou que a versão mais consistente apresentada nos autos é a de que Orelha morreu em decorrência do agravamento de problemas de saúde, e não por agressão humana.