30 de abril de 2026
EDUCAÇÃO

Projeto de Piracicaba ganha destaque nacional na educação

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Autores do projeto - Henrique Reatto Porcel, Thalita Benetello Porcel e Maria Gesiele dos Santos Sousa.

Um projeto que começou com um desafio simples — a dificuldade de comunicação de uma aluna estrangeira — acabou se transformando em uma experiência coletiva de inclusão, empatia e protagonismo infantil. Desenvolvido pelos educadores Thalita Benetello Porcel, Henrique Reatto Porcel e Maria Gesiele dos Santos Sousa, na E.M. Professor Adolfo Basile, em Piracicaba, o “Mundos que se Encontram e Melhoram” conquistou o 1º lugar na etapa estadual do Prêmio Educador Transformador e agora segue para a fase nacional, que será anunciada durante a Bett Brasil 2026, entre os dias 5 e 8 de maio.

Em contato com o Jornal de Piracicaba, a professora Thalita Benetello Porcel contou que a proposta surgiu a partir de uma situação real vivida em sala de aula: a chegada de uma aluna venezuelana ao 1º ano do Ensino Fundamental, que enfrentava dificuldades de comunicação. O que inicialmente parecia ser apenas uma barreira linguística revelou um desafio maior. “O verdadeiro desafio era construir um ambiente em que todas as crianças se sentissem pertencentes, ouvidas e valorizadas”, explicou.

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Ao longo do ano letivo de 2025, o projeto foi desenvolvido de forma contínua e ganhou força a partir de experiências simples do cotidiano. Um dos primeiros momentos marcantes ocorreu quando a aluna tentou convidar os colegas para brincar usando a palavra “pelota”, sem ser compreendida. No dia seguinte, ela ensinou o termo à turma, que passou a utilizá-lo espontaneamente.

A partir daí, o projeto se expandiu para diversas frentes. Os alunos participaram de vivências sobre inclusão, tiveram contato com Libras e braile, discutiram questões ambientais e passaram a refletir sobre empatia, cidadania e convivência. Em muitos momentos, as próprias crianças assumiram o papel de protagonistas, conduzindo atividades e compartilhando conhecimentos com os colegas.

Entre as experiências mais marcantes está a criação do “Robô Bombeiro Coração”, desenvolvido com materiais recicláveis. A ideia surgiu das próprias crianças, que sugeriram que o robô fosse capaz de se comunicar em diferentes idiomas, além de Libras e braile, para atender qualquer pessoa em situação de risco. “Isso mostra como elas passaram a pensar de forma mais empática e coletiva”, destacou a professora.

Os impactos também foram percebidos no desenvolvimento individual dos alunos. Crianças que apresentavam dificuldades de comunicação ou participação passaram a se expressar com mais confiança, enquanto estudantes com necessidades específicas demonstraram avanços significativos na interação e autonomia. O projeto também fortaleceu a relação entre escola e famílias, ampliando o envolvimento da comunidade no processo educativo.

Outro desdobramento importante foi a elaboração de uma carta coletiva enviada ao Núcleo de Educação Ambiental (NEA), solicitando a instalação de um ponto de coleta seletiva no bairro. A iniciativa evidenciou o protagonismo dos alunos e a compreensão de que podem atuar ativamente na transformação da realidade em que vivem.

Reconhecimento e novos caminhos

O processo até a conquista do prêmio foi, segundo Thalita, intenso e transformador. Desde a inscrição até a etapa estadual, o projeto passou por diversas revisões e aprofundamentos, guiados pela metodologia Design Thinking. “Não foi apenas cumprir etapas para participar de um prêmio, mas um verdadeiro movimento formativo. A cada fase, surgiam novas reflexões e possibilidades”, afirmou.

A conquista do 1º lugar estadual representou não apenas o reconhecimento da proposta, mas de todo o percurso coletivo construído com alunos, equipe escolar e famílias. Após essa etapa, o projeto passou por um processo de amadurecimento, com foco na organização de sua metodologia para que possa ser replicado em diferentes contextos educacionais.

Nos últimos meses, a iniciativa também ganhou novos desdobramentos. Parcerias foram ampliadas, incluindo conexões com organizações como o Rotary, e o projeto passou a dialogar com temas globais, como cultura de paz, diversidade e sustentabilidade. Além disso, mudanças profissionais dos envolvidos contribuíram para expandir ainda mais o alcance da proposta, que hoje já começa a ser multiplicada em outras escolas da rede municipal.

Agora, a expectativa se volta para a etapa nacional. Mais do que o resultado, a participação na Bett Brasil é vista como uma oportunidade de troca e aprendizado. “Estar na Bett Brasil já é a realização de um sonho. É um espaço para ampliar diálogos, conhecer outras práticas e fortalecer redes entre educadores”, concluiu Thalita.