Uma tradição com quase três décadas. Basta levar caneta e escrever no papel o que vem do coração. A Oficina Literária acontece todos os meses, e a coletânea de prosas, versos e causos é publicada em blogs literários e veículos de comunicação impressos.
O tema é variado, na maioria das vezes livre, ou pode obedecer a assunto sugerido. Por exemplo, um ator apresenta uma esquete; daí, cada um escreve sobre o que aprendeu com a peça. Em outras ocasiões, há uma palestra sobre escolas e técnicas literárias de uma época. Então, o participante apresenta um trabalho no estilo estudado. Ler e escrever tornam-se rituais de aprendizado.
O local do evento sempre variou, de edição para edição: Engenho Central, Recanto dos Livros, Biblioteca Municipal, Casa do Médico, clubes. Tudo porque a Academia Piracicabana de Letras (APL), fundada há mais de 50 anos, o organiza, mas ainda não possui sede própria, um espaço definido onde possam acontecer as reuniões periódicas e eventos.
Ultimamente, as oficinas literárias acontecem no Museu Prudente de Moraes, sempre na primeira quinta-feira de cada mês, às 19h30. O projeto é organizado pelo Grupo Oficina Literária de Piracicaba (GOLP), criado em 1989 por sugestão do escritor Ignácio de Loyola Brandão.
As oficinas contam com o apoio estratégico da própria APL e do Centro Literário de Piracicaba – outro tradicional grupo local de escritores – na promoção. O apoio da Secretaria Municipal de Cultura também é importantíssimo.
Em cada oficina, um escritor fica na coordenação para estimular os presentes a escrever. Depois de lidos, todos os textos podem ser aproveitados, até em páginas conhecidas como a Prosa e Verso, criada há 26 anos na Tribuna Piracicabana, sem interrupções.
A escritora Carmem Piloto, acadêmica da APL e historicamente envolvida na organização das oficinas, conta que a participação é livre, para pessoas de todas as idades e formações. Basta ter o desejo de escrever. “Os aposentados adoram participar do evento”, afirma.
Não se trata, naturalmente, de concurso. O grande prêmio pela participação é a publicação. E há sempre sorteio de livros. “Cada escritor tem um modo de desenvolver sua motivação. Pode ser uma lembrança relatada, uma música apresentada, imagens, outros textos ou até mesmo uma aula sobre figuras de linguagem”, explica. “Sempre é uma surpresa, porque cada um traz sua vivência e seus assuntos preferidos.”
Os encontros muitas vezes se tornam momentos de partilha. As pessoas trazem suas vivências mais difíceis ou mais alegres. Vai tudo para o papel, como uma terapia. “A alma humana é muito rica e o escritor sempre expõe o lado verdadeiro dos sentimentos.” O projeto não tem nenhuma formalidade, segundo Carmem, e a interação com as pessoas fica muito rica e proveitosa.
O Jornal de Piracicaba, a Gazeta de Piracicaba e Tribuna Piracicabana lançaram, há cinco semanas, a campanha “Uma casa para a palavra”, que pretende sensibilizar autoridades e a comunidade em geral sobre a importância de a Academia Piracicabana de Letras (APL) conquistar sua sede própria. O objetivo é preservar seu acervo, reunir escritores e leitores e fortalecer a atuação na preservação da memória literária da cidade. Até agora, não houve qualquer acordo da Prefeitura com a APL para a definição de um espaço. As duas partes estão se reunindo para encontrar um imóvel adequado para as reuniões e guarda do acervo.