A história de uma pesquisadora que começou em Piracicaba acaba de ganhar projeção global. A engenheira agrônoma Mariangela Hungria, formada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), foi incluída na TIME100 2026, lista da revista Time que reúne as pessoas mais influentes do mundo. O reconhecimento reforça a relevância de seu trabalho e coloca a ciência brasileira em evidência internacional.
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Integrante da categoria “Pioneiros”, que reúne nomes responsáveis por transformações relevantes, Mariangela construiu uma carreira sólida a partir da base acadêmica na Esalq. Sua trajetória é marcada por inovação científica e contribuições diretas para o desenvolvimento do agronegócio.
Ao comentar a conquista, a pesquisadora destacou a dimensão do reconhecimento. “Estamos falando de um reconhecimento das pessoas mais influentes do mundo”, afirmou. Para ela, a inclusão na lista ainda parece difícil de acreditar e representa também uma valorização da pesquisa brasileira no cenário global.
Com mais de quatro décadas de atuação na Embrapa, Mariangela se consolidou como referência internacional em insumos biológicos. Seu trabalho envolve o desenvolvimento de soluções com microrganismos capazes de reduzir o uso de fertilizantes químicos, aumentar a produtividade e diminuir os impactos ambientais.
“É um grande orgulho para a pesquisa brasileira, principalmente por um tema tão relevante: o uso de biológicos substituindo produtos químicos”, destacou. Segundo ela, o reconhecimento reflete um movimento global por práticas agrícolas mais sustentáveis, alinhadas ao conceito de saúde única.
Formada em Engenharia Agronômica pela Esalq em 1979, com mestrado na mesma instituição, doutorado em Ciência do Solo pela UFRRJ e pós-doutorados no exterior, a pesquisadora acumula mais de 500 publicações científicas e participação no desenvolvimento de tecnologias utilizadas em milhões de hectares no Brasil.
Ao longo da carreira, Mariangela recebeu mais de 50 prêmios, entre eles o World Food Prize 2025, considerado o “Nobel da Agricultura”. Para ela, a visibilidade internacional também reforça o protagonismo do Brasil na área de biológicos — e aponta para um futuro ainda mais promissor.