02 de abril de 2026
MAIS DE R$ 28 MIL

PM aposenta acusado de feminicídio com salário integral

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/TV Globo
Aposentadoria rápida de policial acusado de feminicídio gera debate sobre privilégios na corporação.

A transferência para a reserva de um tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, investigado pela morte da esposa, provocou repercussão ao garantir ao oficial um salário elevado mesmo após a prisão. O pedido de aposentadoria partiu do próprio militar e foi concluído em poucos dias pela corporação.

Antes de ser detido, o oficial recebia cerca de R$ 28,9 mil brutos mensais. Com a aposentadoria proporcional por idade, o valor deve permanecer acima dos R$ 20 mil. A medida, no entanto, não interfere nos desdobramentos judiciais nem nos processos administrativos que seguem em andamento.

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Provas contestam versão inicial

A morte da policial ocorreu dentro do apartamento onde o casal vivia, na capital paulista. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência passou a ser investigada como feminicídio após a análise de provas técnicas.

Laudos periciais e a reprodução simulada indicam inconsistências na versão apresentada pelo oficial. Dados extraídos do celular da vítima apontam que o aparelho foi acessado após o disparo, além da exclusão de mensagens que discutiam o fim do relacionamento.

Esses elementos reforçam a suspeita de que houve tentativa de alterar a cena do crime, o que embasa também a acusação de fraude processual.

Relatos reforçam histórico de tensão

Depoimentos colhidos pela investigação descrevem um relacionamento marcado por episódios de controle e comportamento agressivo. Testemunhas relataram mudanças na postura da vítima na presença do marido e situações de conflito dentro do ambiente de trabalho.

Os relatos se somam a outros indícios analisados pelas autoridades, compondo o conjunto de provas que sustenta a acusação.

Processo segue na Justiça

Mesmo com a aposentadoria, o oficial continua respondendo a procedimentos internos que podem resultar na perda do posto e da patente. Paralelamente, o caso deve ser julgado pela Justiça comum, já que envolve crime doloso contra a vida.

Com a tipificação atual, o feminicídio prevê penas que podem chegar a 40 anos de prisão. O Ministério Público também solicita indenização aos familiares da vítima em caso de condenação.

A manutenção dos vencimentos após a prisão levanta questionamentos sobre as regras aplicadas à aposentadoria de agentes de segurança, especialmente em casos de grande repercussão.