19 de março de 2026
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Cientistas contestam uso da maconha como remédio

Por Redação JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
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A conclusão vem de duas novas análises científicas consideradas de alto rigor, publicadas recentemente.

O uso de maconha, seja medicinal ou recreativo, não apresenta eficácia comprovada no tratamento de problemas de saúde mental como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático. A conclusão vem de duas novas análises científicas consideradas de alto rigor, publicadas recentemente.

Os estudos reuniram dezenas de ensaios clínicos ao longo de décadas e não encontraram evidências consistentes de que substâncias derivadas da cannabis, como o CBD e o THC, tragam benefícios reais para esses quadros.



Segundo pesquisadores, a ausência de resultados positivos se mantém mesmo em estudos considerados “padrão-ouro”, que utilizam metodologias rigorosas para avaliar tratamentos. Além disso, a maioria dos testes analisou formas como cápsulas, óleos e sprays diferentes do uso mais comum da substância, que é fumada.

Outras condições psiquiátricas, como transtorno bipolar, esquizofrenia, TOC e anorexia, também não apresentaram melhora com o uso da cannabis.

Apesar disso, o consumo com finalidade terapêutica continua crescendo, inclusive com prescrições médicas. Especialistas alertam que esse cenário pode estar ligado à falta de regulamentação clara e até a possíveis conflitos de interesse envolvendo a indústria da cannabis.

Além da ineficácia, os pesquisadores destacam riscos importantes. O uso frequente, principalmente de versões mais potentes da droga, pode aumentar as chances de desenvolver transtornos psixóticos, além de estar associado a maior risco de suicídio, recaídas e prejuízos cognitivos.

Outro fator de preocupação é o aumento da concentração de THC ao longo dos anos. Enquanto nas décadas passadas os níveis eram baixos, hoje existem produtos com potência muito maior, o que eleva também o risco de dependência.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que existem tratamentos comprovados e seguros para saúde mental, como medicamentos antidepressivos e terapias psicológicas, especialmente a terapia cognitivo-comportamental.