A disputa judicial envolvendo o ator Stênio Garcia, de 93 anos, trouxe à tona uma questão delicada: afinal, filhos têm obrigação de cuidar dos pais? O caso, que tramita na Justiça do Rio de Janeiro, envolve um imóvel localizado em Ipanema e coloca em lados opostos o artista e suas filhas, Cássia Piovesan e Gaya Piovesan.
Segundo informações confirmadas pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), a ação foi protocolada em 2025 e está em andamento na 3ª Vara Cível da capital.
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Na ação, o ator reivindica o direito de usufruto vitalício do apartamento, ou seja, a possibilidade de utilizar o imóvel durante toda a vida, mesmo que a propriedade esteja em nome de terceiros. Ele também solicita indenização por perdas e danos, alegando que as filhas estariam utilizando o bem de forma exclusiva.
O imóvel em questão fica em uma das áreas mais valorizadas da cidade, na Zona Sul carioca, o que amplia o peso financeiro da disputa.
Além disso, o processo menciona dificuldades financeiras enfrentadas pelo ator após o fim de seu contrato com a TV Globo, o que teria aumentado sua dependência de recursos próprios e aposentadoria.
A situação atual também estaria ligada a questões antigas envolvendo a ex-esposa do ator, Clarice Piovesan, mãe das filhas. Um processo judicial da década de 1990, vencido por ela, teria resultado em uma indenização significativa, impactando o patrimônio do artista na época.
De acordo com relatos próximos à família, os conflitos não são recentes e envolvem desentendimentos que se arrastam há décadas.
Tanto Stênio Garcia quanto sua esposa, Marilene Saade, optaram por não comentar detalhes do caso publicamente. Em nota, a defesa destacou que o processo envolve questões sensíveis e reforçou o pedido de respeito à privacidade dos envolvidos.
O caso reacende um debate previsto na legislação brasileira. O Código Civil e o Estatuto do Idoso estabelecem que filhos têm, sim, o dever de prestar assistência aos pais em situações de necessidade, seja financeira ou de cuidados.
No entanto, cada situação é analisada individualmente pela Justiça, levando em conta fatores como vínculo familiar, condições econômicas e histórico de relacionamento.
Mais do que uma disputa patrimonial, o caso evidencia um tema recorrente na sociedade: os limites entre obrigação legal e responsabilidade afetiva dentro das famílias. Enquanto a decisão judicial não é concluída, o episódio segue gerando repercussão e levantando reflexões sobre envelhecimento, suporte familiar e direitos dos idosos no Brasil.