11 de março de 2026
MALHA FINA

Imposto de Renda: VEJA como a IA amplia a fiscalização da Receita

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Agência Brasil
A Receita Federal usa IA e dados cruzados para identificar irregularidades no Imposto de Renda.

A temporada do Imposto de Renda 2026 está prestes a começar e deve ocorrer sob um cenário de fiscalização mais sofisticada. A Receita Federal anunciará na próxima segunda-feira (16) as regras atualizadas da declaração e o calendário oficial de envio.

Nos bastidores, especialistas apontam que a evolução tecnológica tem ampliado a capacidade de monitoramento do Fisco. Sistemas automatizados e ferramentas de inteligência artificial (IA) permitem cruzar diferentes bases de dados e identificar divergências de forma rápida.

Na prática, isso significa que informações fornecidas pelo contribuinte podem ser comparadas automaticamente com registros de diversas instituições financeiras e empresas.

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Cruzamento de dados se tornou mais amplo

A Receita reúne atualmente um grande volume de informações sobre movimentações financeiras e patrimônio. Bancos, corretoras, cartórios, administradoras de fundos, planos de previdência e outras instituições são obrigados a enviar dados ao órgão.

Essas informações são analisadas de forma integrada pelos sistemas da Receita, o que aumenta a capacidade de detectar inconsistências entre rendimentos declarados e movimentações financeiras.

Outro avanço importante é a expansão da declaração pré-preenchida, que vem sendo gradualmente aprimorada. Nesse modelo, vários campos do documento já aparecem preenchidos automaticamente com base em dados fornecidos por fontes pagadoras, prestadores de serviços, imobiliárias e instituições financeiras.

Fintechs passam a informar mais dados

As empresas de tecnologia financeira também passaram a integrar de forma mais intensa o sistema de monitoramento do Fisco.

A Instrução Normativa nº 2.278/2025 determinou que fintechs adotem as mesmas obrigações de reporte aplicadas aos bancos tradicionais. Dessa forma, essas instituições devem informar à Receita movimentações financeiras relevantes realizadas pelos clientes.

Os dados são enviados por meio da E-financeira, documento que reúne informações sobre operações financeiras. Pelas regras atuais, precisam ser informadas movimentações superiores a R$ 2 mil por mês para pessoas físicas e R$ 6 mil para pessoas jurídicas.

Apesar da ampliação da fiscalização, especialistas ressaltam que não existe imposto sobre o Pix. O que mudou foi apenas o nível de monitoramento das transações.

Investimentos e recursos no exterior também entram no radar

A fiscalização também alcança contribuintes que realizam investimentos fora do país. Operações com criptoativos, por exemplo, passaram a ser acompanhadas com maior atenção.

Mesmo quando as negociações são feitas em corretoras estrangeiras, as informações podem chegar às autoridades brasileiras por meio de acordos internacionais ou compartilhamento de dados entre plataformas.

Estruturas patrimoniais no exterior, como offshores e trusts, também fazem parte do universo monitorado pela Receita.

O ponto que mais chama a atenção do Fisco

Entre os critérios analisados pela Receita, um dos principais é a coerência entre os rendimentos declarados e a evolução do patrimônio ao longo do tempo. Quando o patrimônio de um contribuinte cresce de forma significativa, o Fisco busca identificar se existem rendimentos compatíveis que justifiquem esse aumento. Caso haja discrepância entre os ganhos declarados e a ampliação de bens ou investimentos, o sistema pode apontar a situação para análise mais detalhada.

Por isso, especialistas recomendam atenção à consistência das informações informadas não apenas na declaração atual, mas também em relação aos dados enviados em anos anteriores. A manutenção de registros corretos e a declaração completa dos rendimentos são fatores importantes para evitar problemas com a Receita Federal.