Turistas brasileiros enfrentam dias de incerteza em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, após o agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A escalada militar provocou impactos diretos no transporte aéreo da região e levou ao cancelamento de diversos voos internacionais, deixando viajantes sem previsão de retorno ao Brasil.
Sem alternativas imediatas e com custos cada vez mais altos para hospedagem e alimentação, muitos turistas relatam dificuldades financeiras e emocionais enquanto aguardam a normalização do espaço aéreo.
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A situação se agravou após uma ofensiva conjunta de forças americanas e israelenses contra alvos iranianos. O episódio resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, desencadeando respostas militares do Irã.
Entre as retaliações, drones e mísseis foram direcionados a bases ligadas aos Estados Unidos na região do Golfo. Um dos ataques atingiu uma área próxima ao consulado norte-americano em Dubai, aumentando o clima de alerta na cidade, conhecida por ser um dos principais centros turísticos e financeiros do Oriente Médio.
Apesar das autoridades locais afirmarem que o país não participa diretamente do conflito, o risco de novos ataques levou companhias aéreas a suspender ou alterar rotas.
Brasileiros que estavam em viagem pela região passaram a enfrentar sucessivos cancelamentos de voos. Em alguns casos, os passageiros só descobriram a suspensão das viagens ao chegar ao aeroporto.
A advogada Nathaly Valuche, que retornaria ao Brasil com conexão em Doha, no Catar, precisou reorganizar toda a viagem após o voo ser cancelado. Sem conseguir embarcar, ela teve que reservar hotel de última hora e adquirir uma nova passagem, com custo muito mais alto.
Além da questão financeira, a situação também envolve preocupações pessoais, como a falta de medicamentos controlados e a pressão familiar diante das notícias sobre ataques na região.
Outra situação delicada envolve uma diarista e sua filha, moradoras de Cotia, na região metropolitana de São Paulo. As duas relatam dias de tensão após ouvirem fortes explosões e receberem alertas de possíveis ataques de mísseis nos celulares.
A viagem de retorno ao Brasil estava marcada inicialmente para o início de junho em um voo da Qatar Airways, mas foi adiada e posteriormente cancelada. Sem nova confirmação de embarque, elas precisaram trocar de hospedagem para um hotel mais barato para conseguir manter as despesas básicas.
Sem apoio financeiro imediato, as duas afirmam que o dinheiro disponível está acabando.
Diante da falta de previsibilidade nos voos comerciais, alguns turistas passaram a discutir estratégias para sair da região por outros caminhos.
Uma das alternativas consideradas envolve atravessar a fronteira terrestre para Omã e, a partir de lá, tentar embarcar para a Turquia, onde as conexões aéreas estariam funcionando com menos restrições. No entanto, além da complexidade logística, o custo das passagens nessas rotas tem aumentado significativamente.
Moradores e brasileiros que vivem em Dubai também relataram episódios impressionantes no céu da cidade durante as últimas noites. Interceptações de mísseis foram visíveis a olho nu em algumas regiões, com rastros luminosos que chamaram a atenção de quem observava das varandas de apartamentos.
Segundo o governo dos Emirados Árabes Unidos, mais de mil ameaças aéreas já teriam sido neutralizadas pelos sistemas de defesa.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, informou que acompanha a situação por meio das embaixadas brasileiras no Oriente Médio.
De acordo com o órgão, as representações diplomáticas permanecem disponíveis para prestar assistência consular aos brasileiros que estão na região. O ministério também divulgou um alerta consular com orientações e recomendações de segurança diante da escalada das tensões.
Enquanto isso, turistas brasileiros seguem aguardando alternativas para retornar ao país, em meio a um cenário de incerteza, aumento de gastos e temor com a continuidade do conflito.