03 de março de 2026
TRADIÇÃO RURAL

49ª Festa do Milho começa neste fim de semana em Piracicaba

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Centro Rural de Tanquinho
Na década de 1960, Piracicaba produzia cerca de 5 mil pamonhas por dia, distribuídas por todo o estado de São Paulo.

A 49ª Festa do Milho Verde de Tanquinho começa neste fim de semana no Centro Rural de Tanquinho (CRT), na zona rural de Piracicaba, e reforça uma tradição que atravessa gerações. Prestes a completar cinco décadas, o evento consolidou-se como uma das principais expressões da cultura rural do município, e tem em pratos típicos, como a pamonha, o seu maior símbolo.

Organizada pela comunidade local, a festa nasceu com caráter comunitário, como forma de reunir moradores e arrecadar recursos para melhorias no bairro. Ao longo dos anos, cresceu em estrutura e público, mas manteve a essência: celebrar o milho verde e a tradição caipira que marca a identidade de Piracicaba.

O milho utilizado nas receitas é cultivado no próprio bairro, reforçando o vínculo entre produção agrícola e gastronomia. São dezenas de milhares de espigas colhidas a cada edição, transformadas em quitutes como curau, bolo, suco e cuscuz. Ainda assim, é a pamonha que concentra a maior procura, em edições anteriores, foram produzidas cerca de 10 mil unidades ao longo da festa.

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A fama das pamonhas de Piracicaba

Muito antes da festa ganhar projeção regional, a pamonha já carregava o nome da cidade pelo Brasil. Na década de 1960, Piracicaba produzia cerca de 5 mil pamonhas por dia, distribuídas por todo o estado de São Paulo. O diferencial estava na receita simples e no cuidado artesanal: o creme de milho adoçado com açúcar cristal era cozido em embalagens costuradas com a própria palha.

A popularização ganhou impulso com o famoso “pregão” das pamonhas, gravado na década de 1970 por Dirceu Bigelli e reproduzido em alto-falantes de carros que percorriam cidades paulistas. O bordão transformou o produto em marca cultural e ajudou a consolidar a pamonha como patrimônio afetivo de gerações.

Com o passar do tempo, a iguaria ultrapassou os limites do interior paulista. A exportação da pamonha brasileira já alcança países como Canadá, Estados Unidos, Portugal, Suíça, Bélgica, Irlanda, Inglaterra e Japão, impulsionada principalmente por brasileiros que levaram o sabor da infância para o exterior.

Do ponto de vista nutricional, o milho é fonte de energia, rico em carboidratos, vitaminas do complexo B e minerais como ferro, fósforo e potássio. Versátil, pode ser consumido cozido, assado ou transformado em receitas típicas, mas é na pamonha que encontra sua forma mais emblemática em Piracicaba.

Identidade que resiste ao tempo

Ao chegar à 49ª edição, a Festa do Milho Verde de Tanquinho reafirma a força de uma tradição que une agricultura, culinária e comunidade. Mais do que um evento sazonal, a celebração representa a permanência de costumes rurais em uma cidade que cresceu, se modernizou, mas mantém viva a memória de suas raízes.

Se a programação musical e as atrações complementam a experiência, é o aroma do milho cozido e das pamonhas recém-preparadas que continua sendo o principal convite, repetindo, ano após ano, um chamado que já faz parte da história cultural piracicabana.

SERVIÇO

49ª Festa do Milho Verde de Tanquinho