03 de março de 2026
SAÚDE

Ultraprocessados fazem jovens comerem sem fome, diz estudo

Por Redação JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
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É o que aponta um estudo publicado em novembro na revista científica Obesity, que analisou o impacto do grau de processamento dos alimentos sobre o consumo calórico e o comportamento alimentar de pes

Uma dieta rica em alimentos ultraprocessados pode levar jovens a comerem além do que realmente sentem vontade. É o que aponta um estudo publicado em novembro na revista científica Obesity, que analisou o impacto do grau de processamento dos alimentos sobre o consumo calórico e o comportamento alimentar de pessoas entre 18 e 25 anos.

A pesquisa envolveu 27 homens e mulheres com peso estável havia pelo menos seis meses. Durante duas semanas, os participantes foram divididos em dois grupos: um deles seguiu uma dieta em que 81% das calorias eram provenientes de ultraprocessados; o outro adotou uma alimentação sem esse tipo de produto.



As duas dietas foram cuidadosamente planejadas para fornecer apenas as calorias necessárias para manter o peso dos voluntários. Além disso, os cardápios foram equilibrados em 22 características nutricionais, como macronutrientes, fibras, açúcar adicionado, densidade energética, vitaminas e minerais.

Classificação pelo sistema Nova

Para classificar os alimentos, os pesquisadores utilizaram o sistema Nova, desenvolvido por especialistas da Universidade de São Paulo (USP), que categoriza os itens conforme o nível de processamento.

No modelo, alimentos in natura ou minimamente processados incluem frutas frescas, leguminosas e iogurte natural. Já os processados englobam itens como queijos, vegetais enlatados e pães frescos. Os ultraprocessados, por sua vez, passam por processamento industrial intenso e costumam conter altos níveis de aditivos, sódio e açúcar como refrigerantes, balas, salgadinhos e refeições prontas.

Durante o estudo, os voluntários também participaram de um teste em formato de buffet de café da manhã. Em jejum, recebiam uma bandeja com cerca de 1.800 caloriasaproximadamente quatro vezes o valor energético de um café da manhã padrão nos Estados Unidos e tinham 30 minutos para consumir o quanto desejassem.

Comer mesmo sem sentir fome

Os resultados mostraram que, após o período com dieta rica em ultraprocessados, os jovens consumiram mais calorias no buffet e apresentaram maior tendência a comer mesmo sem fome. Segundo os autores, o achado ajuda a isolar o efeito do grau de processamento dos alimentos sobre a ingestão energética, independentemente da composição nutricional.

Para a nutricionista Ana Paula Dorta de Freitas, do Hospital Israelita Albert Einstein, em Goiânia, o estudo reforça que o risco de obesidade entre jovens não está apenas na quantidade de calorias ingeridas, mas também no tipo de alimento consumido.

“A adolescência e o início da vida adulta são fases importantes para a formação de hábitos alimentares. Investir em educação nutricional nesse período pode ter impacto duradouro na saúde ao longo da vida”, afirma.

Os especialistas alertam que os ultraprocessados costumam ser altamente palatáveis e podem interferir nos mecanismos naturais de fome e saciedade. Por isso, a recomendação é priorizar alimentos in natura, planejar as refeições e prestar atenção aos sinais do próprio corpo.