Após enfrentar críticas de parlamentares e forte mobilização nas redes sociais, o governo federal decidiu recuar do aumento do imposto de importação sobre produtos eletrônicos e bens de capital. A medida, anunciada no início de fevereiro, previa elevação de até 7,2 pontos percentuais nas tarifas.
Com a nova decisão, 105 produtos terão alíquota zerada, enquanto outros 15 itens de informática permanecerão com os percentuais anteriores ao reajuste.
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A proposta original tinha como objetivo reforçar o caixa da União. A estimativa oficial era de arrecadar até R$ 14 bilhões ainda neste ano. Já a Instituição Fiscal Independente (IFI) calculava que o potencial de receita poderia alcançar R$ 20 bilhões.
Com a revogação parcial, o impacto fiscal ainda não foi detalhado. Analistas apontam que a mudança pode dificultar o cumprimento da meta de superávit prevista para 2026, aumentando a pressão sobre o ajuste das contas públicas.
Ao justificar o aumento, a equipe econômica argumentou que as importações de bens de capital e de informática cresceram 33,4% desde 2022. Segundo dados apresentados na época, esses produtos já representavam mais de 45% do consumo interno, percentual considerado elevado.
A avaliação era de que o avanço das importações poderia comprometer elos da cadeia produtiva nacional e afetar o desenvolvimento tecnológico do país.
Representantes de importadores e empresas do setor, por outro lado, apontaram risco de perda de competitividade e possível pressão inflacionária. O argumento central era que a indústria brasileira não consegue atender plenamente à demanda interna nem acompanhar o ritmo de modernização global.
O Ministério da Fazenda também sustentava que o impacto sobre o IPCA seria limitado, uma vez que a maior parte dos itens atingidos são bens de produção. Ainda assim, a repercussão política levou à revisão da medida.
Com o recuo, o debate sobre equilíbrio fiscal, proteção da indústria e competitividade internacional volta ao centro das discussões econômicas em Brasília.