A discussão sobre o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1 deve ganhar força no Congresso Nacional nas próximas semanas. A expectativa é que a proposta seja levada ao Plenário da Câmara em maio, após tramitação pelas comissões responsáveis.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que o texto está em fase de construção técnica, com análise detalhada dos possíveis impactos econômicos e sociais. A avaliação interna é de que há viabilidade para votação ainda neste semestre.
VEJA MAIS:
Atualmente, o debate gira em torno de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs). A primeira é a PEC 8/25, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), que propõe a adoção da semana de quatro dias de trabalho, garantindo três dias consecutivos de descanso.
A segunda é a PEC 221/19, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 36 horas, com prazo de até dez anos para implementação completa.
Ambas as propostas serão analisadas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguirem para uma comissão especial, etapa obrigatória no rito de mudanças constitucionais.
A tramitação ocorre em meio a um debate que envolve trabalhadores, empregadores e especialistas em economia. O objetivo declarado é avaliar de forma ampla os efeitos da possível mudança nas relações de trabalho, produtividade e geração de empregos.
Nos bastidores, a articulação política busca evitar disputas por protagonismo e manter o tema dentro do fluxo legislativo tradicional. A estratégia é consolidar um texto que consiga reunir apoio suficiente para aprovação em plenário, etapa que exige quórum qualificado por se tratar de alteração constitucional.
A discussão sobre a jornada 6x1 se insere em um contexto mais amplo de revisão das condições de trabalho no Brasil, com foco em qualidade de vida, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e adaptação às transformações do mercado contemporâneo.
Se confirmada a votação em maio, o tema deve se tornar um dos principais debates políticos do primeiro semestre, mobilizando diferentes setores da sociedade e ampliando a pressão sobre parlamentares.