O espetáculo “Meu Nome: Mamãe” será apresentado nesta quarta-feira (25) no Sesc Piracicaba, com sessões às 14h e às 20h. A entrada é gratuita. A sessão noturna contará com interpretação em Libras e, ao final, haverá conversa com a equipe. Idealizado, escrito e interpretado por Aury Porto, o solo parte da experiência pessoal do artista com a mãe diagnosticada com Mal de Alzheimer há quase duas décadas. A montagem integra a circulação por oito cidades do interior paulista, viabilizada pelo Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
Em cena, Porto alterna as personagens Filho e Mãe em um jogo de trocas de papéis que evidencia a fragmentação da memória e os deslocamentos provocados pela doença. A proposta não adota abordagem clínica, mas dramatúrgica, explorando a dimensão afetiva e simbólica da convivência com o Alzheimer.
De acordo com estimativas amplamente divulgadas por instituições de saúde, cerca de 1,2 milhão de pessoas vivem com Alzheimer no Brasil, com aproximadamente 100 mil novos casos diagnosticados a cada ano. O espetáculo transforma esse contexto em experiência cênica, deslocando o foco do apagamento para a permanência dos vínculos.
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A direção é de Janaina Leite, que insere o trabalho no campo dos chamados teatros do real, em que experiências autobiográficas dialogam diretamente com a linguagem cênica. A dramaturgia, assinada por Claudia Barral, articula relatos pessoais, fragmentos de diálogos e ações performativas em estrutura fragmentada, remetendo à própria dinâmica da memória.
A concepção visual reforça essa proposta. A direção de arte de Flora Belotti utiliza objetos cotidianos e tecidos crus que remetem a casas do sertão nordestino. A trilha sonora original é de Rodolfo Dias Paes (DiPa), com referências ao Cariri cearense, enquanto o desenho de luz de Ricardo Morañez explora sombras e projeções.
Cearense radicado em São Paulo, Aury Porto tem mais de 30 anos de atuação nas artes cênicas. Integrou o Teatro Oficina Uzyna Uzona no início dos anos 2000 e fundou, em 2007, a mundana companhia. No audiovisual, participou de produções como Carcereiros e Assedio.
Além do caráter autobiográfico, “Meu Nome: Mamãe” amplia o debate sobre o envelhecimento da população brasileira e as doenças associadas à velhice, propondo reflexão sobre cuidado, presença e relações familiares.
Espetáculo "Meu Nome: Mamãe"