A Raízen, gigante do etanol, informou um prejuízo de R$ 15,6 bilhões no encerramento de 2025, resultado seis vezes superior ao registrado no ano anterior. Diante do cenário, a companhia, controlada pela Cosan e Shell, avalia uma reorganização societária para reestruturar suas operações.
A proposta em análise prevê a divisão dos ativos em duas estruturas. A primeira reuniria as atividades de produção agrícola, com foco em açúcar e etanol, além da maior parte da dívida. A segunda concentraria a área de distribuição de combustíveis e logística.
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A dívida líquida encerrou o terceiro trimestre da safra atual em R$ 55,4 bilhões, alta de 43,4% na comparação anual. Segundo a companhia, o resultado reflete a substituição de instrumentos de capital de giro, como operações de risco sacado, por outras modalidades financeiras voltadas ao financiamento das atividades operacionais.
O passivo total, que inclui obrigações com fornecedores e operações com clientes, recuou 2%, para R$ 119,8 bilhões. A mudança na estrutura de capital impactou a margem operacional da área de distribuição no terceiro trimestre, com redução do custo de aquisição de combustíveis após a eliminação do risco sacado.
No período, o Ebitda ajustado da distribuição avançou 35,2%, atingindo R$ 215 por metro cúbico. Analistas apontam que a variação decorre da transferência de despesas operacionais para custos financeiros relacionados ao capital de giro.
Apesar disso, a companhia acumula prejuízo de R$ 19,7 bilhões na safra, o que resultou em patrimônio líquido negativo de R$ 1,1 bilhão. Em relatório, a EY destacou incerteza relevante quanto à capacidade de continuidade operacional da empresa.
A receita líquida no terceiro trimestre da safra 2025/26 totalizou R$ 60,4 bilhões, queda de 9,7% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. O Ebitda ajustado somou R$ 3,1 bilhões, recuo de 3,3%. A alavancagem passou de 5,1 vezes no segundo trimestre para 5,3 vezes no terceiro.
As condições climáticas também impactaram a produção agrícola. No acumulado de nove meses da safra, a produção de açúcar caiu 5%, enquanto a de etanol recuou 17,9%.