Dor de cabeça, boca seca, náusea, mal-estar e aquela sensação de “corpo moído” depois dos blocos de Carnaval são sintomas clássicos da ressaca. O quadro é resultado de uma combinação de processos inflamatórios, metabólicos e neurológicos provocados pelo álcool no organismo.
Quando a bebida é ingerida, o etanol é metabolizado no fígado e transformado em acetaldeído, uma substância tóxica que contribui para o mal-estar. O fígado consegue processar, em média, meia a uma dose por hora, mas os efeitos inflamatórios podem durar entre 12 e 24 horas, dependendo da quantidade ingerida e das condições de saúde da pessoa.
No cérebro, o álcool interfere em neurotransmissores e estimula a liberação de citocinas inflamatórias, o que explica sintomas como dor de cabeça, sensibilidade à luz, irritabilidade e fadiga. Além disso, a bebida fragmenta o sono e reduz sua qualidade, fazendo com que a pessoa acorde cansada mesmo após várias horas na cama.
Outro fator importante é a desidratação. O álcool inibe o hormônio antidiurético (ADH), aumentando a produção de urina e favorecendo a perda de líquidos. Isso provoca sede intensa, tontura, fraqueza e piora da dor de cabeça. A irritação da mucosa do estômago e do intestino também contribui para náuseas e desconforto abdominal.
A intensidade da ressaca varia de pessoa para pessoa. Fatores genéticos influenciam a velocidade de metabolização do álcool, e quem tem alterações hepáticas ou faz uso de certos medicamentos pode sofrer efeitos mais intensos. O tipo de bebida também interfere: vinhos tintos, uísque e conhaque costumam causar mais sintomas devido à presença de congêneres, substâncias formadas durante a fermentação e o envelhecimento.
Para aliviar os sintomas, a recomendação é simples: hidratação adequada, alimentação leve e repouso. Não há fórmula milagrosa, e consumir mais álcool para “curar” a ressaca pode agravar o quadro. É preciso dar tempo para que o organismo se recupere.
A ressaca deixa de ser considerada comum quando surgem sinais como vômitos persistentes ou com sangue, confusão mental, dor abdominal intensa, palpitações ou tremores. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico.