Acidente em área turística deixa mortos, desaparecidos e relatos de desespero
Uma lancha de passageiros naufragou na sexta-feira (13) durante a travessia rumo ao interior do Amazonas, nas proximidades do Encontro das Águas. O acidente resultou em duas mortes, sete pessoas desaparecidas e no resgate de 71 sobreviventes, segundo o Corpo de Bombeiros. A região é conhecida pelo intenso tráfego fluvial e por receber turistas diariamente.
Em depoimento à Polícia Civil, o piloto José Pedro da Silva Gama relatou que uma mudança repentina no tempo, com ventos fortes e ondas elevadas, coincidiu com a movimentação de passageiros para a parte frontal da embarcação. A concentração de pessoas na proa teria comprometido a estabilidade da lancha.
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De acordo com o relato, a embarcação reduziu a velocidade ao enfrentar a ventania. A primeira onda foi superada, mas, em seguida, a abertura da porta frontal permitiu a entrada de grande volume de água. Uma nova ondulação atingiu a lancha e submergiu a proa, provocando o naufrágio.
Após o impacto, coletes salva-vidas foram distribuídos e os passageiros foram orientados a deixar a lancha pela parte traseira. As ondas permaneceram intensas por mais de uma hora, dificultando o socorro. Equipes informaram que a maioria dos resgatados não apresentava ferimentos graves.
Entre os sobreviventes está João Henrique, de 17 anos. O adolescente contou que foi salvo pela própria mãe, que lhe entregou o colete salva-vidas pouco antes de desaparecer. Segundo ele, a mãe não sabia nadar e permaneceu tentando protegê-lo até perder forças. O pai e a mãe do jovem estão entre os desaparecidos.
Uma criança foi protegida dentro de um cooler até a chegada do socorro. Familiares relataram que a viagem tinha como destino o município de Nova Olinda do Norte para o período de Carnaval.
O Corpo de Bombeiros confirmou duas mortes, sete desaparecidos e 71 resgates. Lanchas, viaturas e equipes especializadas foram mobilizadas. A embarcação foi localizada a cerca de 50 metros de profundidade.
As buscas seguem com mergulhadores, drones e apoio aéreo. O Corpo de Bombeiros informou que o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) do Estado de São Paulo enviou reforço para apoiar as operações. A equipe é composta por seis bombeiros militares, incluindo um capitão.
A Marinha do Brasil instaurou procedimento administrativo para apurar as causas e eventuais responsabilidades. A empresa responsável pela lancha informou que colabora com as autoridades e realiza a conferência da lista de passageiros.
O local do acidente marca o encontro dos rios Rio Negro e Rio Solimões, que correm lado a lado sem se misturar. A forte correnteza e as diferenças de densidade da água tornam a navegação mais complexa, exigindo atenção redobrada às normas de segurança.