Milhões de brasileiros podem ter valores parados em bancos e outras instituições financeiras sem saber. Levantamento atualizado do Banco Central aponta que 49,6 milhões de pessoas físicas ainda não resgataram recursos disponíveis em seus nomes. Somados aos valores pertencentes a empresas, o total esquecido no sistema financeiro chega a R$ 10,27 bilhões, com dados contabilizados até dezembro do ano passado.
Esses recursos podem ter origem em contas encerradas com saldo residual, tarifas cobradas indevidamente, cotas de consórcios não resgatadas ou outros serviços financeiros. Apesar de o Congresso ter autorizado, em 2024, o recolhimento desses valores pela União, o Ministério da Fazenda informou que o processo não está em andamento, o que mantém o dinheiro disponível para saque, sem prazo final definido.
VEJA MAIS:
A consulta deve ser feita exclusivamente pelo Sistema Valores a Receber (SVR), mantido pelo Banco Central. O acesso ocorre por meio do site oficial, único canal autorizado para esse serviço.
No sistema, é possível verificar valores vinculados a pessoas físicas, empresas e também a pessoas falecidas, desde que a consulta seja realizada por herdeiros, inventariantes ou representantes legais, com o preenchimento de um termo de responsabilidade.
Após a consulta, o próprio sistema informa quais instituições financeiras detêm os valores e orienta sobre os procedimentos necessários para solicitar a devolução.
A devolução dos valores ocorre, preferencialmente, por meio do PIX. Para isso, é necessário informar uma chave válida. Quem não possui chave cadastrada pode entrar em contato diretamente com a instituição financeira para combinar outra forma de recebimento ou cadastrar uma chave e retornar ao sistema para concluir a solicitação.
Desde maio do ano passado, pessoas físicas também podem optar pela solicitação automática, funcionalidade que dispensa consultas frequentes. Para ativar o recurso, é preciso ter conta gov.br de nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas, além de chave PIX do tipo CPF. O crédito é realizado diretamente pela instituição financeira, sem aviso prévio.
Para evitar fraudes, o Banco Central reforçou as camadas de segurança do sistema, exigindo autenticação em duas etapas e validação pelo aplicativo gov.br. O órgão alerta que não entra em contato por telefone, mensagens ou e-mail solicitando dados pessoais ou informações bancárias para liberar valores.