A produção de laranja no cinturão citrícola formado por São Paulo e Triângulo Mineiro será menor do que o esperado neste ciclo. De acordo com levantamento divulgado nesta terça-feira (10) pelo Fundecitrus, a safra 2025/26 deve fechar em 292,6 milhões de caixas, volume inferior às projeções anteriores e também abaixo da previsão feita no início do período.
A pesquisa aponta uma queda de 0,7% em relação ao cálculo divulgado em dezembro e um recuo de 7% na comparação com a primeira estimativa, apresentada em maio do ano passado. Com isso, a quantidade de fruta disponível no mercado tende a ser menor do que produtores e indústrias esperavam.
O principal motivo para a revisão dos números é o tamanho menor dos frutos colhidos nas variedades mais tardias. Dados meteorológicos analisados pelo levantamento mostram que, entre maio de 2025 e janeiro de 2026, choveu menos do que o normal na maior parte das regiões produtoras.
No período, o volume de chuvas ficou cerca de 10% abaixo da média histórica. A falta de água prejudicou o desenvolvimento das laranjas, que não atingiram o peso esperado e acabaram reduzindo o rendimento final da safra.
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Com frutas menores, passou a ser necessário usar mais unidades para completar cada caixa de 40,8 quilos. A média subiu de 265 para 267 laranjas por caixa.
Nas variedades colhidas mais ao final do ciclo, o impacto foi ainda mais evidente. Em alguns casos, a quantidade necessária para fechar uma caixa aumentou em até cinco frutos, reflexo direto do período de seca registrado nos últimos meses.
Até meados de janeiro, aproximadamente 87% de toda a produção já havia sido colhida, confirmando o cenário de menor produtividade.
O efeito do clima não foi igual em todas as áreas do cinturão citrícola. Algumas regiões do interior paulista registraram chuvas acima da média e sentiram impacto menor na produção.
Por outro lado, grande parte das áreas produtoras enfrentou seca mais intensa, principalmente no Triângulo Mineiro e no norte do estado de São Paulo. Nessas localidades, o volume de chuva ficou bem abaixo do histórico, agravando as perdas e comprometendo o desenvolvimento dos pomares.
Além das condições climáticas, outro problema que continua afetando a produção é a queda prematura de frutos. O índice de perda foi mantido em 23%, o maior nível registrado nas últimas 11 safras.
Segundo especialistas ouvidos no setor, esse cenário está ligado principalmente ao avanço de doenças nos pomares, que reduzem a qualidade e a permanência das laranjas nas árvores. O impacto varia conforme a região e a variedade plantada, mas segue como um grande desafio para a citricultura brasileira.
Os dados fazem parte da Pesquisa de Estimativa de Safra, estudo realizado anualmente pela Fundecitrus, que acompanha o desenvolvimento dos pomares por meio de análises de campo e informações climáticas. O trabalho serve como referência para produtores, indústrias e para o mercado de suco de laranja.
O resultado final reforça um momento de atenção para o setor, com oferta mais restrita de fruta e reflexos diretos no abastecimento e nos preços ao consumidor.