A digitalização do processo de habilitação provocou uma mudança sem precedentes no trânsito brasileiro. Em janeiro de 2026, o país registrou 1,7 milhão de novos processos de primeira habilitação, número 360% maior do que o observado no mesmo período do ano anterior.
O avanço está diretamente relacionado à consolidação da plataforma CNH do Brasil, lançada pelo governo federal com a proposta de centralizar todas as etapas da obtenção da Carteira Nacional de Habilitação em um único aplicativo. Desde o início da operação, o sistema já soma cerca de 3 milhões de pedidos e 298,5 mil documentos emitidos.
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A adesão à CNH do Brasil rapidamente superou os modelos tradicionais. Enquanto a nova plataforma concentrou a maior parte das solicitações, os pedidos iniciados diretamente nos Detrans estaduais ficaram em torno de 194 mil no mesmo intervalo.
O crescimento foi observado em todas as regiões do país. São Paulo lidera o ranking nacional, com mais de 76 mil CNHs emitidas, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro, ambos com pouco mais de 23 mil habilitações expedidas.
Além da digitalização, o modelo de formação passou por alterações estruturais. Uma atualização do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) autorizou a atuação de instrutores autônomos, sem vínculo obrigatório com autoescolas.
Com isso, mais de 24,7 mil cursos práticos já foram realizados por profissionais independentes credenciados. A medida ampliou a oferta de instrutores, aumentou a concorrência e abriu espaço para condições mais acessíveis aos candidatos, que agora podem escolher a alternativa mais adequada à sua realidade.
Os dados mostram que o avanço não se limita à abertura de processos. O número de candidatos que concluíram o curso teórico ultrapassou 824 mil, crescimento superior a 300% em relação ao ano anterior.
Os exames teóricos também apresentaram aumento, assim como as aulas práticas, que passaram de 328 mil para mais de 400 mil. Já as provas de direção registraram mais de 323 mil aplicações apenas em janeiro de 2026, reforçando a aceleração no ritmo de formação de novos motoristas.
Desenvolvido pelo Ministério dos Transportes, o aplicativo CNH do Brasil substituiu a antiga Carteira Digital de Trânsito (CDT) e passou a reunir todas as etapas da primeira habilitação.
O acesso é feito por meio da conta gov.br, que importa automaticamente os dados do usuário. A partir daí, o candidato acompanha em tempo real o andamento do processo, incluindo exames médicos, biometria, cursos obrigatórios e provas.
Uma das principais novidades do modelo é o curso teórico gratuito, oferecido em formato totalmente digital. O conteúdo inclui legislação de trânsito, direção defensiva, primeiros socorros e educação ambiental, com aulas em vídeo, áudio e materiais complementares.
Após a conclusão, o certificado é gerado automaticamente e o candidato pode agendar a prova teórica no Detran. O exame é presencial, composto por 30 questões de múltipla escolha, com exigência mínima de 20 acertos para aprovação.
Com a aprovação na etapa teórica, o candidato inicia a formação prática. A nova regulamentação reduziu a carga mínima obrigatória para duas horas, enquanto o restante do treinamento pode ser realizado de forma livre, conforme a necessidade do aluno.
As aulas podem ser feitas com instrutores autônomos, centros de formação tradicionais ou, em alguns estados, com veículo próprio, desde que respeitadas as regras locais. O exame prático permanece presencial e padronizado nacionalmente.
Após a aprovação no exame de direção, a Permissão para Dirigir (PPD) é disponibilizada diretamente no aplicativo, com validade jurídica equivalente à versão impressa. O documento tem validade de um ano.
Concluído esse período, o condutor passa a ter acesso à CNH definitiva, desde que não tenha cometido infrações graves, gravíssimas ou reincidência em médias. Com a Medida Provisória 1.327/2025, a habilitação pode ser emitida exclusivamente em formato digital, sem cobrança adicional pela versão física.