05 de fevereiro de 2026
MEMÓRIA

Piracicabano lança livro sobre presos políticos em manicômios

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Foto: Tatiane Marcelino de Negri
Novo livro de Renan Costa de Negri resgata vidas esquecidas e questiona o passado do país.

Nesta sexta-feira (6) Piracicaba recebe o lançamento de uma obra que promete provocar reflexão e debate sobre um dos capítulos mais obscuros da história recente do Brasil. O cientista social, artista e professor Renan Costa de Negri lança seu terceiro livro, Memórias Enterradas: vidas esquecidas, a partir das 18h, no tradicional Bar Cruzeiro, com entrada gratuita e venda de exemplares no local.

A obra marca a estreia do autor na ficção histórica e se debruça sobre um tema ainda pouco discutido: o uso de manicômios como instrumentos de repressão política durante a ditadura civil-militar, onde presos políticos eram internados após sessões de tortura, em uma tentativa de silenciar corpos e mentes dissidentes.

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A ideia do livro surgiu em 2022, quando Renan realizava pesquisas no Arquivo Nacional e encontrou registros de presos políticos enviados a instituições psiquiátricas após sofrerem violência do Estado. O tema ganhou força a partir do contato com reportagens da jornalista Amanda Rossi, que mapeou ao menos 24 casos de abusos desse tipo no período.

Após um intervalo dedicado a outros projetos, Memórias Enterradas começou a ser escrito ao longo de 2025, reunindo pesquisa histórica, sensibilidade narrativa e crítica social. Renan já é conhecido por trabalhos que dialogam com a memória política do país, como o documentário Não é Permitido: um recorte da censura ao Punk Rock no Brasil, que aborda a repressão cultural enfrentada por bandas paulistas.

Embora seja um romance, o autor destaca que a história carrega forte lastro documental e emocional. “Este livro traz para a ficção uma história indigesta de nosso país e ainda pouco explorada. É urgente resgatar esse passado para impedir que abusos como esses se repitam ou ganhem força novamente”, afirma.

A narrativa tem uma jornalista como protagonista, escolha que dialoga diretamente com as fontes que inspiraram o autor. Além de Amanda Rossi, Renan cita o impacto do livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, e também relatos pessoais, como as experiências de sua mãe em visitas a manicômios durante o trabalho na vigilância sanitária.

SERVIÇO

Lançamento do livro Memórias Enterradas: vidas esquecidas, de Renan Costa de Negri