04 de fevereiro de 2026
MERCADO IMOBILIÁRIO

Piracicaba fechou 2025 com queda nas vendas e alta nos aluguéis

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Casas lideram vendas e aluguéis, com destaque para imóveis de dois dormitórios.

O mercado imobiliário de Piracicaba e cidades do entorno encerrou 2025 com um contraste marcante entre compra e aluguel de imóveis residenciais usados. Levantamento divulgado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CRECISP), referente a dezembro, revela que as locações avançaram de forma expressiva, enquanto as vendas registraram retração no último mês do ano.

A pesquisa considerou dados de 74 imobiliárias distribuídas em 20 municípios da região, entre eles Piracicaba, Limeira, Rio Claro, Araras, Capivari, São Pedro e Saltinho, e comparou os resultados de dezembro com os de novembro de 2025.

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Vendas perdem ritmo no fim do ano

O segmento de vendas apresentou queda de 20,03% em dezembro, reflexo de um período tradicionalmente mais cauteloso para a aquisição de imóveis. O comprometimento da renda com despesas sazonais, aliado a um comportamento mais conservador diante do crédito imobiliário, contribuiu para a desaceleração.

Apesar do recuo mensal, o balanço anual é positivo: ao longo de 2025, as vendas acumulam alta de 133,67%, indicando que a retração de dezembro não altera a tendência de crescimento observada no restante do ano.

Entre os imóveis comercializados, as casas lideraram com ampla vantagem, respondendo por 68% das vendas, enquanto os apartamentos representaram 32%. A maioria das negociações envolveu imóveis avaliados acima de R$ 500 mil. Casas com três dormitórios e metragem entre 100 m² e 200 m² foram as mais procuradas, assim como apartamentos compactos, de até 50 m², com dois dormitórios.

A preferência por imóveis localizados em regiões periféricas ficou evidente: 57,1% das vendas ocorreram nesses bairros, impulsionadas por preços mais acessíveis. O financiamento habitacional seguiu como peça-chave, com a CAIXA Econômica Federal presente em mais da metade das operações.

Locações registram crescimento expressivo

Enquanto o mercado de vendas desacelerou, o setor de locações viveu um momento de forte expansão. Em dezembro, os contratos de aluguel cresceram 152,63% em relação ao mês anterior. No acumulado de 2025, o avanço chega a 224,72%, consolidando o aluguel como alternativa predominante para quem adiou a compra do imóvel próprio.

Os contratos concentraram-se principalmente em imóveis com valores entre R$ 1.000 e R$ 1.500, faixa considerada compatível com a renda média regional. As casas responderam por 61% das locações, seguidas pelos apartamentos, com 39%. Em ambos os casos, imóveis de dois dormitórios foram os mais demandados.

A periferia voltou a se destacar, concentrando mais de 76% dos contratos de locação, o que reforça a busca por melhor custo-benefício diante de um orçamento mais ajustado.

Seguro-fiança ganha espaço

Outro dado relevante do estudo é a consolidação do seguro-fiança como principal modalidade de garantia locatícia. A opção foi escolhida por 73,9% dos inquilinos, evidenciando a preferência por soluções mais rápidas e que dispensam a necessidade de fiador.

Entre os locatários que encerraram contratos em dezembro, 45,5% informaram ter migrado para imóveis com aluguel mais caro, sinalizando mudanças de padrão ou localização. Já 54,5% não declararam o motivo da mudança, o que reforça o cenário de alta mobilidade residencial observado ao longo do ano.

Cenário aponta cautela na compra e força no aluguel

Os dados de dezembro mostram um mercado imobiliário regional resiliente, especialmente no segmento de locações, que vem absorvendo a demanda reprimida por compra. O desempenho ao longo de 2025 indica que, apesar das oscilações mensais, o setor segue aquecido e dependente da atuação de profissionais qualificados para garantir segurança e equilíbrio nas próximas etapas de crescimento.