Piracicaba fechou 2025 com 74 mortes provocadas por acidentes de trânsito, o maior índice proporcional entre os municípios paulistas acompanhados pelo Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito (Infosiga-SP). A taxa chegou a 17,17 óbitos a cada 100 mil habitantes, colocando o município no topo do ranking estadual e acendendo um alerta sobre a efetividade das políticas de segurança viária.
Os dados revelam um cenário persistente de risco nas vias urbanas e rodovias que cortam a cidade, agravado por fatores estruturais, crescimento da frota e comportamentos de alto risco ao volante.
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As estatísticas oficiais consideram apenas ocorrências registradas em boletins de ocorrência, o que indica que o total real de acidentes pode ser superior. Casos sem vítimas graves ou danos aparentes, especialmente os mais leves, muitas vezes não chegam a ser formalizados, o que dificulta a leitura completa do problema e o planejamento de ações preventivas mais precisas.
Após uma queda observada durante os anos mais críticos da pandemia, Piracicaba voltou a registrar crescimento nas mortes no trânsito. Em 2020, foram contabilizados 43 óbitos. O número subiu gradualmente, alcançou 76 em 2024 e permaneceu elevado em 2025, com 74 mortes.
O comportamento da curva ao longo dos últimos 11 anos indica que reduções pontuais não se sustentaram ao longo do tempo, reforçando a necessidade de políticas contínuas e integradas.
A distribuição das mortes por tipo de usuário evidencia a vulnerabilidade de quem circula sem proteção estrutural. Em 2025, 35 vítimas fatais eram motociclistas, quase metade do total registrado no ano. Na sequência aparecem:
O dado reforça o impacto da velocidade e da convivência desigual entre diferentes modais no sistema viário urbano.
Os registros de 2025 mostram que as mortes no trânsito atingem majoritariamente adultos em idade produtiva, e não apenas jovens. As faixas etárias com maior número de óbitos foram:
Também houve registros relevantes entre idosos, especialmente entre 70 e 74 anos, com seis mortes.
Outro dado que chama atenção é o aumento dos casos de embriaguez ao volante em Piracicaba. Entre 2024 e 2025, os registros desse tipo de infração cresceram 36%, passando de 33 para 45 ocorrências, segundo informações extraídas de boletins de ocorrência.
O crescimento contrasta com o cenário estadual, onde houve leve queda de 0,5% no mesmo período. Em Limeira, por exemplo, os casos aumentaram 22%, enquanto Piracicaba apresentou um dos avanços mais expressivos da região.
Dirigir sob efeito de álcool é classificado como infração gravíssima, com multa de quase R$ 3 mil e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Quando o teste do etilômetro aponta índice igual ou superior a 0,34 mg de álcool por litro de ar alveolar, o condutor também responde por crime de trânsito, com pena que pode variar de seis meses a três anos de detenção.
Em casos com vítimas feridas, as sanções podem ser agravadas por lesão corporal. Ainda assim, processos administrativos e judiciais costumam ser longos e permitem recursos, o que, na prática, acaba reduzindo o efeito imediato das punições previstas em lei.
Mesmo com população menor que cidades como Campinas e Guarulhos, Piracicaba lidera o ranking de mortes no trânsito por habitante no estado de São Paulo. O dado indica que o problema vai além do volume de veículos e está ligado à forma como o trânsito é organizado, fiscalizado e utilizado.
Entre as dez cidades com maiores taxas estão municípios de diferentes portes, o que reforça a relação entre letalidade e gestão da mobilidade urbana.
Boletins técnicos e análises setoriais apontam que a redução consistente das mortes depende da combinação de várias frentes:
Os dados históricos mostram que ações isoladas têm impacto limitado quando não fazem parte de um plano estruturado de médio e longo prazo.
Em 2025, a frota de veículos de Piracicaba passou de 357 mil para 366 mil, ampliando a pressão sobre vias já saturadas e aumentando o risco de conflitos entre modais. O crescimento exige respostas mais robustas, especialmente em áreas com grande circulação de pedestres e motociclistas.
A letalidade no trânsito não se restringe à mobilidade. O impacto atinge diretamente o sistema de saúde, o atendimento de emergência e a vida de famílias inteiras. Os dados do Infosiga-SP reforçam que a violência viária precisa ser tratada como um problema estrutural e contínuo, que exige planejamento, monitoramento e ação permanente.
Enquanto os números seguem elevados, Piracicaba permanece no centro de um debate urgente: como transformar estatísticas em medidas eficazes para preservar vidas.