O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu suspender uma determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que ampliava benefícios aos trabalhadores dos Correios. A medida interrompe o pagamento de gratificações adicionais e transfere, ao menos temporariamente, o peso financeiro dessas obrigações para fora do orçamento da estatal.
A decisão atendeu a um pedido apresentado pelos próprios Correios, que alegaram impacto significativo nas finanças da empresa. Entre os pontos suspensos estão o pagamento de 70% de gratificação de férias, o adicional de 200% para trabalho em dias de descanso e um tíquete extra informalmente conhecido como “vale-peru”.
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Segundo estimativas apresentadas pela estatal, apenas as mudanças relacionadas ao plano de saúde dos funcionários poderiam gerar um custo anual de aproximadamente R$ 1,4 bilhão. Já o benefício apelidado de “vale-peru” representaria um impacto adicional de R$ 213 milhões por ano.
Ao analisar o caso, Moraes afirmou que há indícios de extrapolação do poder normativo da Justiça do Trabalho, o que justificaria a suspensão das decisões até uma análise mais aprofundada do mérito.
Antes da intervenção do STF, o TST havia mantido cláusulas do acordo coletivo dos trabalhadores, reconhecido reajuste salarial de 5,10% e afastado a tese de abusividade da greve realizada pela categoria. Também havia determinado que os Correios permanecessem como responsáveis diretos pela manutenção do plano de saúde dos empregados.
Com a nova decisão, esses pontos ficam congelados, alterando o cenário das negociações trabalhistas na estatal.
A suspensão ocorre em um momento delicado para os Correios. A empresa vem acumulando déficits nos últimos anos, com receitas pressionadas e despesas operacionais em alta, especialmente nas áreas de logística e pessoal.
Outro fator que pesa é a crescente concorrência no setor de entregas e encomendas, antes amplamente dominado pela estatal. A entrada de empresas privadas mais ágeis e tecnologicamente avançadas reduziu a participação dos Correios no mercado.
Para tentar estabilizar as contas, os Correios devem receber um aporte financeiro de cinco bancos, sendo três privados e dois estatais. Ainda assim, especialistas apontam que a empresa enfrenta desafios estruturais, como dívidas trabalhistas, obrigações previdenciárias e baixa capacidade de investimento.
A decisão do STF, embora provisória, abre um novo capítulo na disputa entre sustentabilidade financeira da estatal e os direitos trabalhistas, tema que deve seguir em debate nos próximos meses.