O Brasil encerrou 2025 com o maior número de feminicídios já registrado desde a tipificação do crime no Código Penal. Levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) aponta que ao menos 1.470 mulheres foram mortas em contextos de violência doméstica, familiar ou motivada por misoginia ao longo do ano passado, o equivalente a 4 vítimas por dia.
O total supera o recorde anterior, contabilizado em 2024, quando foram registrados 1.464 casos. O crescimento, embora percentualmente pequeno (0,41%), acende um alerta diante da gravidade e da persistência da violência contra mulheres no país.
VEJA MAIS:
Os dados divulgados pelo MJSP não incluem as estatísticas de dezembro de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo, o que indica que o número final pode ser ainda maior. Mesmo assim, São Paulo aparece no topo do ranking, com 233 feminicídios registrados até novembro. Na sequência estão Minas Gerais, com 139 casos, e o Rio de Janeiro, com 104 ocorrências.
Além dos assassinatos consumados, as tentativas de feminicídio avançaram de forma significativa. Em 2025, foram contabilizadas 3.702 ocorrências, frente a 3.185 no ano anterior — um aumento de 16,3%.
A média diária passou de oito para dez tentativas por dia, reforçando o agravamento do cenário de violência de gênero e a urgência de políticas públicas mais eficazes de prevenção e proteção.
Ao longo do ano, os registros oscilaram, com períodos de alta e retração. Abril concentrou o maior número de casos, com 138 feminicídios. Logo depois aparecem outubro e novembro, ambos com 135 ocorrências, indicando uma concentração preocupante no segundo semestre.
Em 2026, a Lei do Feminicídio completa 11 anos. A legislação foi sancionada em março de 2015, durante o governo da então presidente Dilma Rousseff. Em 2024, uma nova norma ampliou o rigor das punições: a pena para o crime passou a ser de até 40 anos de prisão, a mais alta prevista no Código Penal brasileiro.
A mudança também endureceu sanções relacionadas a lesão corporal e violência doméstica, ampliando o alcance da legislação.
Casos de violência podem ser denunciados por meio da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito e disponível 24 horas por dia. O canal oferece orientação jurídica, acolhimento, registro de denúncias e encaminhamento aos órgãos competentes.
Também é possível acessar o atendimento via WhatsApp, pelo número (61) 99610-0180. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.