17 de janeiro de 2026
SAÚDE

Não conseguir arrotar pode indicar problema pouco conhecido; VEJA

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem gerada por IA

A dificuldade ou impossibilidade de arrotar, muitas vezes tratada como algo curioso ou sem importância, pode esconder um problema de saúde real. Trata-se da Disfunção Cricofaríngea Retrógrada (DCF-R), uma condição médica reconhecida oficialmente apenas nos últimos anos, mas que já vem sendo identificada em pacientes de diferentes países, inclusive no Brasil.

Apesar de parecer rara, a DCF-R tem ganhado visibilidade com o aumento de relatos nas redes sociais e em comunidades online, onde pessoas compartilham sintomas semelhantes e histórias de anos sem diagnóstico.

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Um problema mais comum do que se pensava

A DCF-R ocorre quando o músculo cricofaríngeo, localizado na região da garganta, não relaxa adequadamente para permitir a liberação do ar acumulado no estômago. O resultado é uma série de sintomas desconfortáveis que vão além do sistema digestivo.

Entre os sinais mais frequentes estão sensação constante de estufamento abdominal, dor, pressão no peito, ruídos involuntários na garganta, gases excessivos e dificuldade para engolir. Em muitos casos, esses sintomas persistem por anos sem uma explicação clara, o que leva pacientes a conviverem com o desconforto sem saber que existe um diagnóstico.

Segundo especialistas, o desconhecimento da condição faz com que muitas pessoas sejam tratadas apenas para problemas gástricos comuns, sem sucesso.

Impacto físico, social e emocional

Mais do que um incômodo físico, a DCF-R pode comprometer significativamente a qualidade de vida. Comer fora de casa, participar de reuniões sociais ou até realizar atividades simples do dia a dia passa a gerar ansiedade e constrangimento.

Relatos de pacientes indicam que o medo do desconforto após as refeições leva ao isolamento social, além de impactos emocionais como estresse, insegurança e queda da autoestima. Especialistas alertam que o sofrimento psicológico associado à condição é um fator que merece atenção no acompanhamento médico.

Das redes sociais aos consultórios médicos

Curiosamente, a disfunção começou a ganhar notoriedade fora dos meios acadêmicos. Antes mesmo de estudos amplos serem publicados, pacientes passaram a relatar melhorias após tratamentos experimentais discutidos em fóruns e plataformas digitais.

Foi nesse contexto que médicos passaram a investigar o padrão dos sintomas. Pesquisas mais recentes identificaram o músculo cricofaríngeo como peça-chave do problema, abrindo caminho para abordagens terapêuticas mais eficazes.

Hoje, grupos de apoio online desempenham um papel importante ao ajudar pacientes a reconhecer os sinais da condição e buscar atendimento especializado.

Tratamento simples e resultados expressivos

Atualmente, o tratamento mais utilizado para a DCF-R é considerado minimamente invasivo. Ele consiste na aplicação de toxina botulínica diretamente no músculo afetado, permitindo seu relaxamento e facilitando a liberação do ar.

O procedimento é rápido e, em muitos casos, proporciona melhora significativa logo nos primeiros dias. Dependendo do perfil do paciente, o tratamento pode ser complementado com exercícios respiratórios e acompanhamento médico contínuo para manutenção dos resultados.

Especialistas destacam que, quando corretamente diagnosticada, a DCF-R tem alto potencial de controle, com impactos positivos imediatos no bem-estar geral.

Quando procurar ajuda médica

Barriga constantemente inchada, gases em excesso e incapacidade de arrotar não devem ser ignorados, especialmente quando os sintomas são persistentes. A recomendação é procurar um otorrinolaringologista, profissional capacitado para avaliar alterações na musculatura da garganta e indicar o tratamento adequado.

O diagnóstico precoce faz diferença direta na qualidade de vida do paciente e evita anos de sofrimento desnecessário. Informação e atenção aos sinais do corpo são fundamentais para transformar um problema pouco conhecido em uma condição tratável.