O Brasil vive um cenário alarmante no avanço dos acidentes com escorpiões. Em 2025, o país já ultrapassou 173 mil registros de picadas e contabilizou mais de 200 mortes, um crescimento expressivo nos óbitos em relação ao ano anterior. Embora o total de ocorrências seja menor do que em 2024, a taxa de letalidade dobrou, passando de 0,06 para 0,12, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde.
O aumento da gravidade dos casos tem preocupado autoridades sanitárias e pesquisadores, que reforçam a necessidade de prevenção constante e atendimento médico imediato diante de qualquer suspeita de envenenamento.
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A série histórica do Ministério da Saúde aponta que os acidentes com escorpiões vêm se tornando mais letais. O ano mais crítico da última década foi 2023, quando 430 pessoas morreram em decorrência do veneno. Estudos científicos recentes indicam que o problema está longe de ser pontual e segue uma trajetória de agravamento, especialmente em áreas urbanas.
Pesquisas publicadas em revistas internacionais também mostram um aumento expressivo nos registros de picadas por insetos e aracnídeos no Brasil ao longo da última década, evidenciando que o escorpionismo é hoje um desafio de saúde pública.
Embora qualquer pessoa possa ser vítima, crianças e idosos apresentam maior risco de desenvolver quadros graves. O organismo mais sensível nesses grupos facilita a ação do veneno, que pode comprometer rapidamente o sistema cardiovascular e respiratório se não houver intervenção médica adequada.
O crescimento dos acidentes está diretamente ligado a fatores ambientais e urbanos. Altas temperaturas, comuns em grande parte do país, somadas à expansão urbana desordenada, criam condições ideais para a proliferação dos escorpiões.
Redes de esgoto, caixas elétricas, tubulações, entulhos e o acúmulo de lixo oferecem abrigo e alimento ao animal, especialmente pela presença de baratas, sua principal presa. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, os casos se intensificam nos meses mais quentes, enquanto no Norte e Nordeste os registros ocorrem ao longo de todo o ano.
A rapidez no atendimento é decisiva para evitar complicações. Especialistas alertam que práticas caseiras podem piorar o quadro. Em caso de picada:
Os sintomas variam de dor intensa a manifestações mais graves, como vômitos, sudorese excessiva, aceleração dos batimentos cardíacos e, em situações extremas, insuficiência cardíaca e edema pulmonar.
A prevenção depende, sobretudo, da eliminação de abrigos e fontes de alimento. Instituições de referência, como o Instituto Butantan, recomendam:
Outro fator que amplia o risco é a alta capacidade reprodutiva dos escorpiões. Cada gestação pode resultar em até 25 filhotes, repetindo-se duas vezes ao ano por vários anos. Algumas espécies comuns no Brasil conseguem se reproduzir sem acasalamento, o que acelera ainda mais sua disseminação nas cidades.
Especialistas reforçam que o animal nunca deve ser manuseado. Caso seja encontrado, o ideal é conduzi-lo com segurança para um recipiente usando um objeto longo e acionar o Centro de Controle de Zoonoses do município.
O avanço das mortes por escorpiões evidencia a urgência de ações públicas de controle ambiental, campanhas de orientação e maior atenção da população, principalmente em períodos de calor intenso.