A nova política comercial adotada pela China para a importação de carne bovina deve provocar uma redução significativa nas vendas brasileiras ao país asiático, hoje o maior destino da proteína nacional. A avaliação é de analistas do setor, que veem na decisão um freio direto ao crescimento das exportações justamente em um momento de forte dependência do mercado chinês.
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Com a entrada em vigor das medidas de salvaguarda, o Brasil passa a ter um limite anual pouco acima de 1,1 milhão de toneladas para exportação de carne bovina à China em 2026. O número contrasta com o desempenho recente: nos últimos anos, os embarques giraram em torno de 1,5 milhão de toneladas por ano.
Na prática, isso significa que cerca de meio milhão de toneladas devem ficar fora do principal mercado consumidor da carne brasileira já no próximo ano, volume considerado expressivo por especialistas do agronegócio.
Os embarques que ultrapassarem o teto definido pelo governo chinês estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, o que tende a inviabilizar economicamente parte das operações. A salvaguarda, segundo Pequim, busca proteger a indústria local diante do aumento das importações e da queda dos preços internos da carne.
Apesar de a medida já ser aguardada pelo mercado, o impacto sobre o Brasil é visto como mais severo do que para outros exportadores.
Países como Argentina e Uruguai devem sentir os efeitos de forma mais moderada. Com rebanhos menores e históricos de exportação inferiores aos do Brasil, esses concorrentes acabam relativamente menos pressionados pelas cotas. Além disso, empresas brasileiras com plantas frigoríficas nesses países podem, indiretamente, encontrar alguma compensação operacional.
Mesmo com o cenário adverso, a China continuará sendo um parceiro central para a pecuária brasileira. O cronograma divulgado pelas autoridades chinesas prevê aumentos graduais das cotas até 2028, quando o volume autorizado ao Brasil deve chegar a cerca de 1,15 milhão de toneladas. Ainda assim, a expansão é considerada tímida frente ao ritmo de crescimento observado nos últimos anos.
Diante das restrições, a tendência é que o Brasil intensifique a busca por novos destinos para a carne bovina, priorizando mercados sem cotas ou tarifas adicionais. A ampliação da presença em outros países e possíveis operações indiretas passam a integrar a estratégia do setor para reduzir a dependência do mercado chinês.
A salvaguarda foi anunciada oficialmente pelo Ministério do Comércio da China e seguirá válida até dezembro de 2028, estabelecendo limites anuais por país e penalidades tarifárias para volumes excedentes.