08 de julho de 2026
'NÃO SOMOS PAIS'

Avós afirmam que ajudar os netos é diferente de criá-los; VEJA

Por Da redação |
| Tempo de leitura: 2 min
Freepik

A expectativa de que avós estejam sempre disponíveis para acompanhar a rotina dos netos — levar à escola, preparar refeições, supervisionar atividades e ocupar o espaço que deveria ser dos pais — tem deixado muitos idosos no limite. O que antes era visto como demonstração natural de afeto agora se torna motivo de conflito silencioso em diversas famílias.

VEJA MAIS:



Relatos de idosos mostram um movimento crescente: eles querem participar da vida das crianças, mas não aceitam mais assumir uma jornada semelhante à da maternidade ou paternidade. Para muitos, a pressão é tão forte que chega a provocar culpa e medo de falhar com os filhos.

Sobrecarga que adoece

Pesquisas citadas por especialistas revelam que, em países da Europa e na América Latina, há avós que dedicam de seis a sete horas diárias ao cuidado dos netos — tempo equivalente a uma segunda jornada de trabalho. A rotina intensa tem provocado sintomas semelhantes ao burnout: estresse, ansiedade, dores crônicas, exaustão física e piora de doenças já existentes.

Apesar do esforço, apenas uma pequena parcela desses idosos afirma que cuida dos netos por prazer. A maioria relata sentir-se pressionada, seja por dificuldades financeiras dos filhos, pela falta de creches ou pelo peso cultural que associa envelhecer à obrigação de “ajudar sempre”.

Quando ajudar vira imposição

Entre os depoimentos que circulam nas redes e em reportagens internacionais, há histórias de avós que se esforçam para impor limites, mas enfrentam resistência dentro da própria família. Muitos evitam falar sobre o assunto para não parecerem egoísticos, e outros relatam vergonha de admitir que não desejam repetir o ciclo da criação.

A espanhola Cayetana Campo, 71, é um exemplo citado em materiais de referência. Mãe de quatro filhos e avó de seis netos, ela deixa claro que contribui quando necessário, mas não aceita assumir uma rotina fixa. “Tenho minha vida e meus compromissos”, afirma.

O peso do silêncio

Psicólogos apontam que o maior impacto não está apenas no tempo dedicado às crianças, mas no desgaste emocional acumulado. A sensação de obrigação contínua impede que muitos idosos vivam a velhice de forma autônoma, com lazer, descanso e autocuidado — elementos essenciais para manter a saúde física e mental.

Profissionais da saúde reforçam que ajudar os netos não precisa — nem deve — significar assumir o papel de cuidador principal. A recomendação é estabelecer limites claros: horários definidos, disponibilidade real e conversas honestas com os filhos sobre a responsabilidade de cada um.

Definir limites não diminui o vínculo familiar. Ao contrário, protege os avós e fortalece relações mais saudáveis, baseadas em respeito e não em obrigação.